Reciclagem estagna em Portugal
A recolha seletiva de embalagens para reciclagem cresceu apenas 0,9% no primeiro semestre de 2026. Os dados do SIGRE revelam quedas na recolha de plástico, aço e embalagens de cartão para alimentos líquidos, reforçando os alertas para o cumprimento das metas europeias.
A recolha seletiva de embalagens para reciclagem em Portugal registou um crescimento de apenas 0,9% no primeiro semestre de 2026, evidenciando uma estagnação na evolução da reciclagem no país, segundo os dados do SIGRE – Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens.
Entre janeiro e junho foram encaminhadas para reciclagem 233.065 toneladas de resíduos de embalagens, mas a evolução ficou aquém das necessidades para cumprir as metas nacionais e europeias.
Os números mostram comportamentos distintos entre materiais. O papel e cartão registaram uma subida de 4,8%, atingindo 82.255 toneladas, enquanto a madeira cresceu 13,5%, totalizando 1.650 toneladas.
Em sentido inverso, verificaram-se quebras na recolha de plástico, que caiu 6,6%, fixando-se nas 40.031 toneladas, menos 2.814 toneladas do que no mesmo período do ano anterior. Também o aço recuou 3,3% e as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) diminuíram 1,2%.
Já o vidro, o material com maior volume recolhido, ultrapassou as 100 mil toneladas, mas cresceu apenas 1%, um desempenho considerado insuficiente para acompanhar as metas de reciclagem.
Para Pedro Simões, diretor-geral da Novo Verde, os resultados demonstram que Portugal precisa de acelerar a recolha seletiva.
“Não podemos ignorar estes números. Estamos perante um sinal claro de que o país precisa de acelerar o passo. Atingir as metas não é uma opção, é um dever coletivo”, afirma.
O responsável defende ainda um maior investimento em informação, inovação e na modernização dos sistemas de gestão de resíduos urbanos, permitindo aumentar a captação de embalagens para reciclagem.
A Novo Verde destaca que continuará a apostar em projetos de sensibilização ambiental, como a Geração Verdão e o Transformarium, bem como em estudos destinados a melhorar a eficiência da recolha seletiva, reforçando a colaboração entre cidadãos, empresas e municípios.
Os dados assumem especial relevância numa altura em que Portugal continua sob pressão para cumprir os objetivos europeus de reciclagem, depois de a Comissão Europeia ter instaurado processos relacionados com o incumprimento de metas anteriores.
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