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Ratos, bolor e salas sem pavimento: o que motivou o protesto na António Gedeão?

Enquanto estudantes, pais e professores reivindicavam obras urgentes à porta da escola, o Diário do Distrito teve acesso às condições “degradantes” da escola. Só a CDU marcou presença.

Mais de uma centena de estudantes, professores e pais juntaram-se à porta da Escola Básica e Secundária António Gedeão, em Almada, num protesto que se iniciou com a abertura da escola, antes das oito horas da manhã. Esta escola, com mais de 40 anos, nunca foi intervencionada e já tinha sido alvo de notícias relativamente às suas condições, com um antigo bloco que foi demolido por apresentar “perigo de vida” para os estudantes.

“Queremos ação, salvem a Gedeão” foi o mote da manifestação convocada por estudantes que rapidamente se estendeu à comunidade, numa onda de solidariedade de antigos alunos, encarregados de educação e moradores da Cova da Piedade. Nas palavras de ordem exigem que se “respeitem os alunos” e afirmam que a educação deve ser “prioridade”. Nos cartazes pode ler-se frases como “salvem a Gedeão” ou “com uma escola melhor, crescemos e estudamos melhor”.

“Faltam vidros nas salas, há muitos insetos e ratazanas, apanha-se aqui de tudo nas aulas. Não se vê nenhuma ação da Câmara de Almada nem das entidades competentes que possam arranjar a escola”, explica Sérgio Dias, um dos pais presentes na manifestação.

Sérgio diz que tanto a mulher como a filha foram alunas naquela escola e por isso sabe que é “uma situação que se arrasta há muitos anos”, frisando que “tem vindo a degradar-se de ano após ano”. 

Sérgio Dias explica que a filha mais velha foi para outra escola por conta das condições da António Gedeão e que se sente preocupado sobretudo com a segurança dos mais novos. “Estas condições têm impacto na concentração e na aprendizagem, mas sobretudo na forma como vêem a escola, estas crianças deviam olhar para a escola como um lugar seguro e naquelas salas de aula isso não é possível”

André Carvalho, professor contratado pela Associação de pais, relata que “há muros e paredes a cair” e uma “infestação muito grave de ratos”. A isto acrescenta que as mesas e cadeiras estão também degradadas e que materiais como computadores e projetores muitas vezes não funcionam. 

A ausência de condições da escola, com cerca de mil alunos do 5º ao 12º ano, tem gerado grande descontentamento entre a comunidade escolar. Solidários com a manifestação dos estudantes, vários funcionários da escola acompanharam os jornalistas do Diário do Distrito e mostraram as paredes cheias de humidade e bolor, chão sem pavimento, balneários e casas de banho com portas partidas, lavatórios avariados, chuveiros sem bocas e enferrujados.

André Carvalho, professor contratado

Segundo José Godinho, diretor da escola Básica e Secundária António Gedeão, “este protesto marca o culminar de mais de 40 anos de uma paciência que findou. Estamos há mais de quatro décadas à espera de requalificação”.

“Cansámo-nos de ensinar em espaços que não têm qualidade, não têm dignidade. As salas de aulas estão a ficar cada vez mais degradadas. O ginásio gimnodesportivo tem infiltrações por todo o lado – são mais os dias em que não há aulas do que aqueles em que há. O refeitório está degradado, com as paredes cheias de humidade, com infiltrações constantes”, sublinha.

De acordo com o diretor a escola já passou “por uma tentativa de requalificação na altura da Parque Escolar que não funcionou porque caiu a Parque Escolar. Depois veio o PRR e também não foi possível fazer a nossa candidatura, não sabemos porquê. Agora parece que estamos em vias de uma terceira tentativa de requalificação, mas que nunca mais acontece”. 

José Godinho explica que apenas querem que “haja uma preocupação da parte do Ministério da Educação e do município”, porque se a situação “continuar nestes moldes, temos que fechar salas e mandar alunos para casa”.  

Rodrigo Araújo, aluno e membro do conselho geral da escola, disse que foi mandado a baixo “um dos pavilhões mais antigos, provisórios, por não terem condições”. Contudo, em substituição foram colocados monoblocos, mas “chove lá dentro” e “numa mesa à parte temos 5 alunos a ter aulas juntos. 

Também sobre os monoblocos, Rodrigo denuncia o perigo de queda nas escadas por serem “escorregadias” e que já resultou em quedas de alunos e professores. Para além disso, há ainda tetos partidos e com fissuras. 

O diretor diz ainda “ter muito orgulho” nos alunos que se manifestam por “acreditarem naquilo que é o princípio democrático de reivindicarem direitos que lhes são devidos. A Constituição prevê que a educação e a saúde sejam prioridades num estado social e isso não está a acontecer”. A Coligação Democrática Unitária (PCP e PEV) foi a única força política presente no protesto, com o vereador Luís Palma a mostrar solidariedade com os estudantes, pais, professores e funcionários.


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