Rafael Gomes: o tatuador de Almada que transforma histórias em arte na pele
Rafael Gomes, 29 anos, é de Almada e é na cidade onde nasceu que constrói o seu percurso como tatuador, assinando o trabalho como @piricastattoart. Entre o realismo e o preto e branco, assume o anime como estilo de eleição e defende uma abordagem personalizada, onde cada tatuagem começa num “brainstorming” com o cliente.

Rafael Gomes tem 29 anos, é de Almada (onde nasceu e sempre viveu, com especial ligação ao Monte de Caparica) e é também em Almada que constrói o seu percurso profissional na tatuagem.
No Instagram, assina como @piricastattoart e apresenta-se como tatuador “since 2018”, com marcações por DM e morada em Rua Rainha Santa Isabel, 7A, Almada — um endereço que cruza a sua identidade artística com a cidade onde trabalha e cresce, dia após dia.
Da amizade ao primeiro traço: “comecei por brincadeira”
A entrada de Rafael no universo da tatuagem começou de forma orgânica e íntima: foi a melhor amiga -que já tatuava – quem o desafiou, sabendo que ele gostava de desenhar. “Começou por brincadeira”, conta, mas o incentivo e o apoio dessa relação acabaram por abrir uma porta que nunca mais fechou.
Nesse início, Rafael foi também construindo referências próximas, olhando para o trabalho de tatuadores da região de Almada, como Dots e Theo Pedrada, nomes que acompanhou enquanto começava a descobrir linguagem, técnica e ambição.
A carreira começou “na garagem” e ganhou casa própria
O percurso não foi imediato nem “de estúdio para estúdio”. Rafael recorda um arranque muito concreto: começou a tatuar numa garagem em Vale Flores, com essa mesma amiga, onde estiveram cerca de três anos. Depois surgiu uma oportunidade de abrirem uma loja juntos no centro, na zona de Rainha Santa Isabel, mas “por questões logísticas” separaram-se profissionalmente.
Rafael seguiu o caminho a solo e abriu o seu estúdio, onde diz estar há três anos, hoje com atividade nas Barrocas, em Almada – uma escolha que, mais do que um simples ponto no mapa, reforça a coerência do seu trajeto: é um tatuador que cresce a partir do território onde vive.
Realismo e preto e branco… mas “o meu estilo de eleição é anime”
Quem percorre o perfil @piricastattoart encontra uma montra com forte presença de realismo e de trabalhos em preto e cinza, algo que o próprio assume como parte importante do que faz.
Ainda assim, quando fala de identidade artística, Rafael é direto: “o meu estilo de eleição é, sem dúvida, anime.” É aí que diz sentir maior prazer criativo: na composição, nas cores e nas referências visuais que exigem detalhe, dinâmica e um traço que respeite o universo original sem perder assinatura.
E há um ponto que repete como princípio: cada tatuagem deve ser uma experiência única, não apenas um desenho “bem feito”. Para Rafael, o resultado final é também o processo: conversa, entendimento, construção.
Processo criativo: do “brainstorming” à pele
Rafael descreve um método flexível. Em muitos casos, adapta referências trazidas pelos clientes; noutros, cria de raiz — sobretudo quando pensa em trabalhos para o seu book, e quando quer explorar áreas que o motivam mais, como cores e animes.
No centro da forma como trabalha está a colaboração: um momento de “brainstorming” em que, em conjunto, se monta um projeto “agradável para ambos”. Mas se o cliente chega com uma ideia muito concreta, Rafael diz que sabe ouvir e alinhar: no fim, o que o move é tatuar e entregar algo que faça sentido para quem o vai carregar.
Responsabilidade: “entregar um bom trabalho que satisfaça o cliente”
Quando a conversa vai à responsabilidade de marcar um corpo “para a vida”, Rafael coloca o foco no essencial: entregar um bom trabalho e garantir que o cliente fica satisfeito. E acrescenta um detalhe que revela preocupação com soluções e segurança: diz que, na pior hipótese, conta com a colaboração da namorada, que tem formação em remoção de tatuagens — uma espécie de “rede” num universo onde a decisão é permanente.
Almada como comunidade: crescimento, apoio e “quem já anda nisto há mais tempo”
Rafael sente que Almada tem crescido na área artística e que existe uma comunidade onde é importante reconhecer o caminho de quem veio antes. A resposta é simples, mas diz muito sobre como se posiciona: é bom sentir que se pode contar com o apoio de quem já anda nisto há mais tempo. É também aqui que a cidade aparece não só como local de trabalho, mas como ecossistema — gente, estúdios, referências, circulação de público.
Os trabalhos que marcam: a história por trás do desenho
Quando questionado sobre tatuagens que o tenham marcado, Rafael não escolhe a complexidade técnica. Escolhe a dimensão humana.
Fala de um cliente regular, por quem tinha “apreço e carinho”, que acabou por falecer. Não quis desenvolver pormenores “por respeito à família”, mas a menção diz tudo: há tatuagens que ficam na memória do tatuador pelo que representam fora da sala.

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