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Quinta do Anjo guarda um dos mais importantes testemunhos do Neolítico

Classificados como Monumento Nacional, os Hipogeus da Quinta do Anjo constituem um dos mais relevantes vestígios arqueológicos do Neolítico em Portugal. Estas estruturas funerárias, escavadas na rocha calcária há milhares de anos, testemunham a importância dos rituais associados à morte nas primeiras comunidades agrícolas da região.

A região de Palmela é considerada uma das mais importantes referências nacionais para o estudo dos rituais funerários do final do Neolítico, período marcado pela sedentarização das comunidades humanas e pelo aparecimento das primeiras grandes necrópoles.

Muito antes disso, a região da Arrábida já tinha sido ocupada por diferentes espécies humanas. Vestígios arqueológicos encontrados em locais como a Lapa de Santa Margarida e a Gruta da Figueira Brava comprovam a presença humana naquele território desde há centenas de milhares de anos, constituindo marcos fundamentais da arqueologia portuguesa.

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Com o desenvolvimento das comunidades agrícolas durante o Neolítico, os rituais ligados à morte ganharam uma importância crescente. As populações começaram a construir espaços específicos para acolher os seus mortos, surgindo então sepulturas coletivas em grutas naturais ou estruturas escavadas na rocha.

É neste contexto que surgem os Hipogeus da Quinta do Anjo, considerados os primeiros identificados em Portugal. O conjunto é composto por quatro monumentos funerários escavados no calcário, constituindo um exemplo único no país.

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Cada hipogeu apresenta uma arquitetura característica, composta por uma câmara funerária subcircular coberta por abóbada, uma antecâmara de planta oval e um corredor estreito que conduzia ao espaço principal. Estas estruturas destinavam-se a acolher enterramentos coletivos e refletiam as crenças das comunidades da época sobre a vida para além da morte.

A sobrevivência destes monumentos é considerada excecional. Durante o século XIX, a exploração de uma pedreira nas proximidades colocou em risco a sua preservação, mas os hipogeus acabaram por resistir, chegando até aos nossos dias.

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As primeiras escavações arqueológicas foram conduzidas a partir de 1876 sob orientação de Carlos Ribeiro, com trabalhos realizados por António Mendes. As investigações revelaram um vasto conjunto de materiais associados aos enterramentos, incluindo machados, pontas de seta, instrumentos de pedra polida, cerâmicas, alfinetes e botões em osso.

Os objetos encontrados demonstram que as populações neolíticas depositavam junto dos mortos diversos bens considerados úteis para a viagem até ao além, revelando uma complexa dimensão espiritual e simbólica.

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Hoje, os Hipogeus da Quinta do Anjo permanecem como um dos mais importantes testemunhos da pré-história portuguesa, ajudando a compreender as formas de vida, as crenças e os costumes das comunidades que habitaram a região há mais de cinco mil anos.


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