Quercus exige travão a megaempreendimento em Castelo de Bode
A Quercus considera "escandaloso" o avanço do projeto turístico de luxo Amara Village, nas margens da Albufeira de Castelo de Bode, sem Avaliação de Impacte Ambiental. A associação ambientalista alerta para os riscos para uma das principais reservas de água do país e pede a suspensão imediata do projeto.

A Quercus manifestou forte oposição ao avanço do empreendimento turístico Amara Village, previsto para as margens da Albufeira de Castelo de Bode, acusando as entidades competentes de permitirem o desenvolvimento de um projeto de grande dimensão sem a obrigatória Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).
O aldeamento turístico prevê ocupar 50 hectares, dos quais cerca de 30 serão destinados à construção, incluindo 193 apartamentos e moradias, infraestruturas de apoio, uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), novos acessos rodoviários e um cais para embarcações.
Segundo a associação ambientalista, a legislação obriga à realização de uma AIA para aldeamentos turísticos com área igual ou superior a 10 hectares, considerando incompreensível que um projeto cinco vezes superior avance sem esse procedimento.
A Quercus alerta ainda para os potenciais impactos na qualidade da água, na biodiversidade, na desarborização da área, no aumento do ruído e na pressão sobre um ecossistema considerado estratégico. A Albufeira de Castelo de Bode é responsável pelo abastecimento de água a cerca de três milhões de pessoas na Área Metropolitana de Lisboa.
A associação critica também a alegada tentativa de acelerar o arranque das obras antes da revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo de Bode, processo que poderá impor regras ambientais mais exigentes.
Além das preocupações ambientais, a Quercus questiona se o empreendimento corresponde verdadeiramente a um projeto turístico ou se poderá funcionar como um empreendimento residencial permanente, apontando para a estratégia comercial dos promotores, que faz referência à criação de uma “comunidade” e até a uma “escola alternativa”.
Perante este cenário, a associação apela à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à CCDR-LVT para que imponham a realização da Avaliação de Impacte Ambiental, à Câmara Municipal de Tomar para suspender o plano de pormenor até à revisão do plano de ordenamento da albufeira e ao Ministério do Ambiente e Energia para classificar Castelo de Bode como zona de superior interesse nacional, estratégico e crítico.
A Quercus defende que o desenvolvimento económico não pode colocar em causa um recurso essencial como a água, sublinhando que a proteção da albufeira deve prevalecer sobre interesses imobiliários e turísticos.
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