Quando a cidadania se senta à mesa da democracia local
As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

Nas autarquias, a democracia vive mais perto das pessoas. Vive na rua, no bairro, na escola, na associação, na coletividade. Vive onde os problemas têm nome, rosto e urgência. É por isso que os movimentos de cidadãos tem um papel tão decisivo na vida autárquica: porque nasce dessa proximidade e dessa escuta permanente.
Ser deputada municipal é, antes de mais, representar pessoas. Não siglas. Não cores. Não obrigações partidárias que, por vezes, pouco dizem a quem apenas quer melhores serviços públicos, mais qualidade de vida ou um concelho com futuro. O movimento de cidadãos Setúbal de Volta, surge precisamente nesse espaço onde a política se reencontra com a sua função original: servir a comunidade.
Convergir ideias, experiências e percursos diferentes é uma mais-valia, não uma fragilidade. Quando se olha para um território com olhos diversos, a solução tende a ser mais completa, mais justa e mais próxima da realidade.
É essa riqueza que os movimentos de cidadãos trazem para as autarquias: a capacidade de somar, em vez de dividir.
No concelho de Setúbal, esse exemplo é claro. O Setúbal de Volta é um movimento que reúne pessoas de diferentes partidos, pessoas independentes, pessoas que nunca tinham participado ativamente na política. O que as une não é a filiação partidária, mas o compromisso com o concelho. Um compromisso genuíno, feito de conhecimento do território, de sentido crítico e de vontade de fazer melhor.
Esta diversidade não enfraquece o projeto — fortalece-o. Obriga ao diálogo, à negociação de ideias, ao respeito pelo outro. Obriga a colocar Setúbal no centro das decisões, acima de qualquer lógica de alinhamento automático ou disciplina externa. E isso é saudável para a democracia local.
Num tempo em que tantas pessoas se afastam da política por desilusão ou cansaço, os movimentos de cidadãos representam também uma porta aberta à participação. Mostram que é possível intervir sem abdicar da independência de pensamento. Que é possível discordar sem romper. Que é possível construir sem excluir.
As autarquias ganham quando acolhem esta energia cívica. Ganham porque se tornam mais plurais, mais transparentes e mais representativas da realidade social que governam. Ganham porque passam a ouvir vozes que, de outra forma, ficariam fora da sala de decisões.
Estes movimentos de cidadãos não substituem os partidos, complementa-os. Não enfraquecem a democracia, aprofunda-a.
Enquanto deputada municipal, com mais de três décadas ligadas à comunicação social, levo para a política local a mesma exigência:
Ouvir, Compreender, e Dar o Melhor de Mim aos Outros
Acredito que o futuro do poder local passa, inevitavelmente, por esta abertura: menos trincheiras, mais pontes; menos rótulos, mais ideias; menos obrigações partidárias e mais compromisso com as pessoas.
Setúbal constrói-se melhor quando é feito por todos, verdade?
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