Quando a chuva manda a lagoa abre-se sozinha ao Atlântico
A Lagoa de Santo André abriu naturalmente ao mar esta terça-feira, pressionada pelo elevado volume de água acumulado após semanas de chuva intensa e pela forte agitação marítima registada no litoral alentejano.

A Lagoa de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, abriu-se hoje de forma natural ao mar, um fenómeno provocado pela conjugação de chuvas persistentes nas últimas semanas e pela agitação marítima intensa que se faz sentir na costa. A pressão exercida pelo aumento significativo do caudal das ribeiras que desaguam na lagoa acabou por vencer o areal que a separa do Atlântico.
Em declarações à agência lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Santo André, David Gorgulho, explicou que o forte escoamento das ribeiras, alimentadas pela chuva contínua, esteve na origem desta abertura espontânea. O autarca recordou que a mesma precipitação esteve também na base de inundações registadas em algumas estradas do concelho nos últimos dias.
Habitualmente, a ligação da lagoa ao mar é realizada de forma artificial durante o mês de março, com recurso a máquinas que escavam um canal no areal, permitindo a renovação das águas e das espécies piscícolas. Desta vez, porém, a natureza antecipou o processo.
Segundo David Gorgulho, uma eventual intervenção mecânica encontra-se, para já, suspensa. A decisão prende-se com a incerteza quanto à evolução do estado do mar, que se mantém muito agitado. O autarca alertou que a forte ondulação poderá voltar a fechar a lagoa em pouco tempo, estando previstas ondas de vários metros, uma situação que obriga a um acompanhamento diário e permanente.
O Município de Santiago do Cacém informou, através da sua página oficial, que os Serviços Municipais de Proteção Civil, a Capitania do Porto de Sines e a GNR acompanham a situação no terreno, monitorizando a evolução das condições e garantindo a segurança da população e da área envolvente.
Apesar da abertura natural, o presidente da Junta sublinhou que a lagoa necessita de permanecer algum tempo ligada ao mar para cumprir o seu processo de limpeza e renovação natural das águas. Caso esse efeito não se verifique, poderá ser necessária uma nova intervenção, desta vez com meios artificiais.
Em 2025, a abertura da Lagoa de Santo André ocorreu a 28 de março, também num contexto de níveis elevados de água resultantes da precipitação. Nessa ocasião, a operação mobilizou centenas de pessoas, que acompanharam no areal os trabalhos de escavação do canal até à ligação plena ao mar.
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