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PSP sob choque com prisão de agentes

Sete agentes da PSP ficaram em prisão preventiva por suspeitas de crimes graves e o ministro da Administração Interna reagiu, defendendo que a maioria dos polícias serve o país com sentido de missão.

A prisão preventiva de sete agentes da PSP por suspeitas de crimes graves voltou a colocar a atuação policial sob forte escrutínio público e levou o ministro da Administração Interna a sublinhar que a esmagadora maioria dos profissionais da PSP serve o país com sentido de missão, coragem e respeito pela legalidade democrática.

Numa mensagem publicada na página do Ministério da Administração Interna, Luís Neves procurou separar a conduta dos suspeitos do trabalho diário desenvolvido pela generalidade dos polícias, defendendo que os agentes não são todos iguais e que cerca de 20 mil profissionais saem todos os dias para garantir a segurança da população.

A reação do governante surge após ter sido conhecida a decisão judicial que deixou os sete agentes a aguardar julgamento em prisão preventiva. Em causa estão suspeitas de tortura grave, violação consumada e tentada, abuso de poder, detenção de arma proibida e ofensas à integridade física graves e qualificadas, num processo que elevou a pressão sobre a imagem da instituição e sobre a confiança dos cidadãos nas forças de segurança.

Segundo os elementos tornados públicos no processo, a medida de coação mais gravosa foi aplicada perante o entendimento de que existia perigo de continuação da atividade criminosa, perturbação grave da ordem pública e risco para a conservação e aquisição da prova. A decisão acentua a gravidade judicial do caso e reforça a dimensão pública de uma investigação que atinge diretamente uma esquadra da capital.

O caso está relacionado com alegados crimes ocorridos na esquadra do Rato, em Lisboa, e junta estes sete agentes a outros dois polícias que já se encontravam em prisão preventiva desde julho. Também esses inspetados foram alvo de suspeitas por crimes como tortura, abuso de poder, violação e agressões, alegadamente praticados sobretudo contra toxicodependentes, pessoas em situação de sem-abrigo e cidadãos estrangeiros.

Na acusação, é referido que vários detidos terão sido agredidos com socos, chapadas e coronhadas na cabeça, havendo ainda referência a situações que terão sido filmadas e fotografadas. Parte desse material terá sido partilhado em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes, um detalhe que agrava a dimensão interna do caso e levanta novas perguntas sobre a cultura de vigilância e responsabilização dentro da estrutura policial.

Na mesma reação pública, o ministro lembrou que a presunção de inocência se aplica a todos os cidadãos, mas salientou que este processo revela igualmente o funcionamento das instituições, uma vez que a denúncia partiu da própria PSP. Luís Neves garantiu ainda que qualquer suspeita de comportamento ilegal por parte de elementos das forças de segurança será investigada com total rigor.

Entretanto, a Inspeção-Geral da Administração Interna revelou que estão em curso três processos disciplinares relacionados com este caso, estando também a ser averiguada a eventual responsabilidade de agentes que terão assistido aos vídeos partilhados. O processo continua agora a marcar a atualidade política e policial, num momento em que o país volta a confrontar-se com um tema sensível: a necessidade de punir exemplarmente desvios graves sem lançar suspeição sobre todos os profissionais que exercem funções no terreno.


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