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Protesto molhado desafia papel das Lajes

Cerca de duas dezenas de pessoas concentraram-se este sábado junto à Base das Lajes, na ilha Terceira, para contestar uma eventual utilização da infraestrutura militar no conflito com o Irão. A manifestação, realizada sob chuva intensa, defendeu que os Açores não devem ser envolvidos em operações militares fora do enquadramento internacional.

A Base das Lajes voltou a ser palco de contestação cívica este sábado, quando pouco mais de vinte manifestantes se reuniram nas proximidades da infraestrutura militar norte-americana, na ilha Terceira, para expressar oposição à possibilidade de a base servir de apoio logístico a operações relacionadas com o conflito com o Irão.

A concentração, organizada por um grupo de cidadãos, decorreu durante a manhã e durou menos de uma hora. Apesar da chuva intensa, os participantes permaneceram junto a um parque de estacionamento situado a cerca de cem metros da entrada da base, exibindo cartazes e uma faixa com mensagens que defendiam uma solução diplomática para a crise no Médio Oriente.

Durante o protesto ouviram-se várias palavras de ordem. Entre os ‘slogans’ entoados estavam apelos à paz e à rejeição do uso da base para bombardeamentos, refletindo a posição dos manifestantes de que o arquipélago não deve ser associado a ações militares neste contexto.

Uma das faixas visíveis durante a iniciativa afirmava “Açores fora da guerra de Trump”, enquanto alguns participantes seguravam folhas com frases dirigidas à comunidade internacional e à política externa norte-americana, pedindo respeito pelo direito internacional e contestando a escalada militar.

A porta-voz da manifestação, Laura Alves, defendeu que o Governo português deve estabelecer limites claros quanto à utilização da Base das Lajes, sustentando que a infraestrutura apenas deve ser utilizada em operações enquadradas por organizações internacionais das quais Portugal e os Estados Unidos façam parte.

Segundo explicou, essa condição não corresponde, na perspetiva dos organizadores, às operações militares em discussão. A responsável acrescentou ainda que a eventual utilização da base nestas circunstâncias não se enquadraria no Acordo de Cooperação e Defesa que regula a presença norte-americana nos Açores.

Entre os participantes encontravam-se também dirigentes e militantes do Bloco de Esquerda nos Açores. Ainda assim, a organização da iniciativa sublinhou tratar-se de uma mobilização cidadã aberta a pessoas com diferentes posições políticas, unidas pela recusa de envolver o arquipélago em ações militares fora do quadro previsto no acordo bilateral.

Laura Alves afirmou ainda que os participantes rejeitam o regime iraniano, que classificam como autoritário e responsável por violações de direitos humanos. Contudo, consideram que a escalada militar não constitui solução e defendem que o conflito deve ser resolvido mediante negociações e diplomacia.

No início da concentração foi lido um manifesto onde os organizadores apelam a que Portugal rejeite qualquer utilização da Base das Lajes em operações militares que contribuam para intensificar o conflito. O documento defende que a paz no Médio Oriente depende de soluções políticas e do respeito pelo direito internacional, sustentando que o futuro do Irão deve ser decidido pelo próprio povo iraniano.

O texto refere ainda que o ataque realizado pelos Estados Unidos e por Israel ao Irão, ocorrido no sábado anterior, não possui legitimidade legal internacional, considerando que a ofensiva agrava um cenário já marcado por vítimas civis.


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