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Projeto reformulado da Mina da Lagoa Salgada em consulta pública até 27 de novembro

Nova proposta elimina cianeto no processamento, reforça proteção de aquíferos e reduz área de ocupação em Grândola e Alcácer do Sal.

O projeto reformulado da Mina da Lagoa Salgada, destinada à exploração de cobre, chumbo, zinco, prata e ouro, está em consulta pública até 27 de novembro. A mina situa-se na freguesia de Torrão, no concelho de Alcácer do Sal, e na União de Freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra, distrito de Setúbal.

Esta reformulação surge após a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ter emitido uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável em julho, convocando a empresa Redcorp – Empreendimentos Mineiros a apresentar novo estudo com alterações ao projeto.

O promotor prevê um investimento global de 196 milhões de euros e a criação de 300 postos de trabalho diretos e 700 indiretos. A proposta contempla a eliminação do processo de lixiviação e fundição de ouro e prata, passando a utilizar apenas o processo de flutuação para separar estes metais, o que implica a remoção do cianeto de sódio do processo.

A Redcorp explica que a eliminação do cianeto reduz o consumo de químicos, custos de construção e manutenção, simplifica o armazenamento de rejeitados, e diminui a pegada ambiental e de licenciamento. Além disso, a estratégia atualizada permite a recuperação de metais secundários valiosos como chumbo e vanádio, aumentando o rendimento metálico por tonelada e alinhando-se com os princípios da economia circular e as estratégias da União Europeia para matérias-primas críticas.

Entre as alterações, reforça-se a proteção dos recursos hídricos com impermeabilização total da zona de acesso à mina e a instalação de uma cortina impermeabilizante ao longo do perímetro da escavação do ‘box cut’ para reduzir os impactos no aquífero.

O método de deposição de resíduos no aterro também é alterado, passando a uma solução de rejeitados filtrados, que vai reduzir significativamente a área e o volume necessário para a deposição. A área de ocupação do aterro foi diminuída de 71,5 para 43,1 hectares, o que corresponde a uma redução da área total em cerca de 28,44 hectares, com menor impacto nas manchas de montado.

As infraestruturas previstas no projeto incluem produção de energia fotovoltaica para autoconsumo, lavaria, acessos, estaleiro, central da pasta, bacia de retenção de águas pluviais, estação de tratamento de águas e subestação elétrica.

O projeto prevê ainda o abastecimento de água potável através da albufeira do Alqueva, via albufeira do Vale do Gaio, em Alcácer do Sal, em acordo com a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sado (ARBVS) e a Redcorp, que vai comprar e pagar a água diretamente à ARBVS.

A produção estimada é de 5.480 toneladas diárias de minério, durante uma vida útil de 11 anos, iniciada após uma fase de construção de cerca de dois anos. O início da construção está previsto para o primeiro trimestre de 2026, com o arranque da exploração mineira no segundo semestre de 2027.

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