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Portugal descalço e roto, sem Canadairs e com verão quente

Todos os três aviões Canadair de combate aos incêndios em Portugal estão inoperacionais, deixando o país vulnerável a fogos florestais num momento crítico.

Em pleno período de maior risco de incêndios florestais, Portugal parece estar desarmado nos céus: os três aviões Canadair ao serviço nacional encontram-se fora de combate por motivos técnicos.

O aparelho que operava nas regiões do Tâmega e do Barroso chegou mesmo a descolar de Castelo Branco, mas foi rapidamente abortada a missão quando se detetou fumo num dos motores, situação confirmada pela Proteção Civil à RTP. Tal falha inviabilizou qualquer utilização imediata daquele Canadair, deixando sem cobertura aérea uma zona frequentemente sob pressão dos fogos.

Além disso, dois aviões integrados no Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) permanecem em terra, afastados de qualquer ação, agravando a incapacidade de resposta em caso de novo foco ou recrudescimento do fogo.

Não menos preocupante é o estado do terceiro avião: destinado a entrar em ação quando ocorrem avarias nos restantes, também está atualmente inoperacional, segundo confirmou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) à Lusa. Esta falência do sistema de reserva impede que o país mobilize rapidamente meios aéreos na eventualidade de agravar o quadro de incêndios.

Recorda-se que, no final de julho, um dos Canadair amarou no rio Douro, em Entre-os-Rios, em consequência de uma avaria mecânica — episódio que deixou antever fragilidades já então preocupantes na frota aérea nacional.

Com este cenário, a resposta às emergências fica severamente fragilizada. A ausência dos meios de socorro aéreos obrigará a depender quase exclusivamente de solução terrestre, expondo ainda mais zonas vulneráveis, nomeadamente áreas de mato denso e difícil acesso. A mobilização dos meios de socorro terrestres, ainda que eficaz, não consegue replicar a rapidez e abrangência proporcionadas pelos Canadair, sobretudo em áreas remotas ou de acesso complicado.

A situação exige, com urgência, uma resposta técnica eficaz para repor os aviões no ar ou reforçar os meios de socorro mediante alternativas viáveis, de modo a evitar tragédias em áreas florestais sob risco elevado.


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