Porque é que a política não é igual para todos os políticos?
As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

A política, em teoria, devia ser igual para todos. Mas na prática, sabemos que não é. Há políticos que têm mais espaço, mais voz e mais tempo nos meios de comunicação, enquanto outros são praticamente ignorados. E isto, a meu ver, é uma das maiores falhas da nossa democracia.
A comunicação social tem uma enorme responsabilidade na forma como a política se faz em Portugal. Basta ligar a televisão ou abrir as redes sociais para perceber que são sempre os mesmos a aparecer. Os extremos crescem porque têm espaço, porque são notícia, porque dão audiências. Nunca se viram tantas entrevistas a extremistas como agora.
E eu pergunto: será que isso dá assim tantas audiências? Só pela maneira de falar? Mesmo depois de serem apanhados em milhares de inverdades, voltam a ser entrevistados como se nada fosse. Eu próprio, quando vejo certos políticos em entrevista nos meus canais de notícias favoritos, mudo imediatamente de canal, não me deixo alimentar pelo ódio, pelo racismo, pela xenofobia, nem tão pouco pelas mentiras.
A lei portuguesa é clara — mas a comunicação social não a cumpre. E o pior é que ninguém faz nada. Acreditem, vontade não me falta de o tentar fazer.
A Lei n.º 72-A/2015, de 23 de julho, define claramente que “durante o período de campanha eleitoral, os órgãos de comunicação social devem observar equilíbrio, representatividade e equidade no tratamento das notícias e reportagens relativas às diversas candidaturas”. A Comissão Nacional de Eleições (CNE) também reforça que os tempos de antena devem ser atribuídos “em condições de igualdade a todos os partidos políticos, coligações e grupos de cidadãos eleitores concorrentes”.
Isto é lei. Não é opinião. Mas na prática, não acontece.
Estamos em período de pré-eleições presidenciais, e pergunto: de quem ouvimos falar todos os dias na televisão?
Almirante Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes, António José Seguro, João Cotrim de Figueiredo, António Filipe, Catarina Martins e agora Jorge Pinto.
E os outros?
E a Manuela Magno, o Tim Vieira, a Joana Amaral Dias?
Quase não se ouve falar deles.
Esta é a minha candidata, a Manuela Magno. Já tive a oportunidade de estar com ela e, além de partilharmos muitas coisas em comum, somos membros do mesmo partido político. Pelo que conheço, é um ser humano fantástico, uma mulher de garra, com um currículo notável. Já esteve noutras eleições e é uma mulher que, como candidata à Presidência da República, quer gerar empatia, unir os portugueses em torno de um desígnio firme de cidadania, com responsabilidade e imparcialidade.
Quer perceber – e sentir – o que cada um de nós pode e deve contribuir para um país mais solidário, mais democrático e mais desenvolvido, reforçando a presença de Portugal na Europa e no mundo com ética, transparência e sempre na defesa dos direitos humanos.
Com isto, não quero diminuir qualquer outro candidato.
Falo da Manuela Magno porque a conheço e acredito que, se tivesse as mesmas oportunidades que outros candidatos, muitas mais pessoas se interessariam por ela, pelas suas ideias e pela sua visão para Portugal.
O mesmo vale para outros candidatos que, infelizmente, não têm o mesmo espaço mediático para se darem a conhecer — e que, quem sabe, poderiam também ser excelentes pessoas, com uma visão sólida e positiva para o país.
Estou a referir-me às presidenciais porque são as próximas eleições, mas o mesmo se aplica às autárquicas e às legislativas. É sempre o mesmo padrão: os grandes partidos e os nomes do costume dominam o espaço, e os restantes ficam nas margens, como se fossem cidadãos de segunda.
Mais triste ainda é ver que a comunicação social dá mais destaque a eleições em clubes de futebol do que às eleições locais ou nacionais — aquelas que, na verdade, decidem o futuro de Portugal, o bem-estar dos portugueses e o papel do país no mundo.
Quando apresentamos queixas à CNE, eles investigam, ouvem o órgão de comunicação social… e pouco ou nada acontece. Já recebi respostas em tempos de legislativas a dizer que “apenas estão a dar destaque a quem tem assento parlamentar”.
Assento parlamentar?
Então e os outros candidatos, que têm os mesmos direitos perante a lei, não contam?
Ano após ano, eleição após eleição, é sempre o mesmo. E ninguém faz nada. Nem os próprios partidos que se dizem injustiçados. Talvez porque já desistiram, ou porque acham que não vale a pena lutar contra um sistema que está feito para beneficiar os mesmos de sempre.
Mas eu acredito que já passou da hora de se unirem — não nas ideias políticas, mas num objetivo comum: obrigar ao cumprimento da lei. Obrigar à igualdade de tempo de antena, à justiça na cobertura mediática e ao pluralismo que uma democracia exige.
Os órgãos de comunicação social deviam ser o espelho do país, mas neste momento são o reflexo de um sistema que prefere o que dá audiência em vez do que dá voz à diversidade política.
Enquanto cidadãos, acabamos por ser alimentados pelo que nos dão de comer. Mesmo que não gostemos, temos de escolher entre os que mais aparecem. E assim, Portugal continua preso aos mesmos nomes há mais de 50 anos, entre os partidos do sistema e os extremismos que crescem por falta de alternativas visíveis.
Mas há alternativas — muitas. Só que não têm espaço.
Está na hora de exigir o cumprimento da lei.
Está na hora de dar voz a todos os candidatos.
Está na hora de a política voltar a ser o que devia ser: igual para todos.
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