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Ponte Salazar para uns, Ponte 25 de Abril para outros

Para uns continuará a ser a Ponte Salazar. Para outros será sempre a Ponte 25 de Abril. Entre uma designação e outra existe uma realidade incontestável: há 60 anos nascia a primeira ponte sobre o Tejo em Lisboa, uma obra que mudou profundamente a vida de milhões de portugueses e se tornou um dos maiores símbolos nacionais.

Há 60 anos nasceu a primeira ponte sobre o Tejo em Lisboa

A 6 de agosto de 1966, Portugal assistiu à inauguração da primeira grande travessia rodoviária sobre o rio Tejo em Lisboa. A estrutura, que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril, surgiu numa época em que o país era governado pelo Estado Novo e recebeu inicialmente o nome de Ponte Salazar, em homenagem ao então presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar.

Durante os seus primeiros anos de existência, esse foi o nome oficial da ponte. Milhares de portugueses que viveram essa época continuam ainda hoje a referir-se à travessia como Ponte Salazar, não necessariamente por razões políticas, mas porque foi assim que a conheceram desde o primeiro dia.

No entanto, a Revolução de 25 de Abril de 1974 alterou profundamente a vida política portuguesa e trouxe consigo uma nova identidade para a ponte. Poucos meses depois da queda do regime, a infraestrutura passou a chamar-se oficialmente Ponte 25 de Abril, designação que se mantém até aos dias de hoje e que é conhecida pelas gerações mais jovens.

Seis décadas depois da inauguração, coexistem, por isso, duas memórias. Para uns, a ponte recorda os anos do Estado Novo e o momento em que Lisboa deixou de depender exclusivamente das ligações fluviais para atravessar o Tejo. Para outros, representa sobretudo os valores de liberdade e democracia associados à data que lhe deu o nome atual.

Mas para além das diferentes leituras históricas e políticas, existe uma realidade que une praticamente todos os portugueses: a ponte tornou-se muito mais do que um nome.

Foi a primeira travessia fixa sobre o Tejo na área de Lisboa, aproximou populações, transformou a mobilidade entre Lisboa e a Margem Sul e impulsionou o crescimento urbano, económico e social de toda a região metropolitana.

Ao longo dos anos, tornou-se também uma das imagens mais reconhecidas do país, admirada por milhões de visitantes e utilizada como cartão-de-visita de Portugal no mundo.

Sessenta anos depois, a discussão sobre o nome continua ocasionalmente a surgir. Contudo, independentemente da designação que cada pessoa prefere utilizar, a verdade é que a ponte atravessou regimes políticos, gerações e mudanças sociais profundas, permanecendo como uma das mais importantes obras de engenharia da História portuguesa.

Mais do que um monumento de uma época, a ponte, Salazar para umas gerações, 25 de Abril para outras, é hoje património de todos os portugueses.

Parabéns a esta obra maravilhosa!


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