Poluição junto a escolas ultrapassa níveis que serão exigidos a partir de 2030
Um projeto que está a monitorizar a qualidade do ar junto de escolas portuguesas encontrou concentrações de partículas finas e dióxido de azoto que, em nove dos 12 estabelecimentos já analisados, teriam ultrapassado em vários dias os valores de referência associados aos limites europeus previstos para 2030. Os resultados preliminares apontam também para uma influência do trânsito, sobretudo nas horas de ponta.
A qualidade do ar na envolvente de várias escolas portuguesas apresenta níveis de poluentes que poderão tornar-se problemáticos perante as regras europeias mais exigentes previstas para 2030, segundo resultados preliminares do projeto “Respirar Fundo”, divulgados pela Associação ‘Bora Ambientar por ocasião do Dia Internacional do Ar Limpo para o Céu Azul, assinalado a 7 de setembro.
O projeto está no terreno desde setembro de 2025 e abrange 13 escolas dos ensinos Básico e Secundário, distribuídas pelos concelhos de Ponte de Lima, Barcelos, Guimarães, Póvoa de Varzim, Vila Nova de Gaia, Ílhavo, Caldas da Rainha, Sintra, Lisboa e Sesimbra.
A monitorização é realizada através de estações portáteis instaladas temporariamente junto das escolas, que medem continuamente partículas PM10 e PM2.5, dióxido de azoto (NO₂) e ozono troposférico (O₃).

Os relatórios já produzidos pelo CENSE, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, abrangem 12 dos 13 estabelecimentos. Os resultados mostram que as concentrações de PM10, PM2.5 e NO₂ tendem a aumentar durante as horas de ponta da manhã e da tarde, num padrão que os investigadores consideram consistente com a influência do tráfego rodoviário.
Em nove das 12 escolas analisadas, a aplicação dos valores mais restritivos estabelecidos pela Diretiva Europeia 2024/2881 para 2030 resultaria, segundo o projeto, num número significativamente superior de situações acima dos níveis considerados, nomeadamente para PM2.5 e NO₂.
Foram igualmente identificadas excedências pontuais face aos valores atualmente em vigor em algumas escolas, sobretudo relativamente às partículas PM2.5 e PM10. Os casos tiveram maior incidência no Norte, nomeadamente na EB de Freixo, em Ponte de Lima, EB de Manhente, em Barcelos, e Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia.
Como alguns dos episódios ocorreram durante a noite e ao fim de semana, os responsáveis pelo projeto admitem a influência de fontes externas à atividade escolar, como aquecimento a biomassa, queimadas ou poeiras.
Na Escola Secundária António Sérgio, em Gaia, foram ainda registados episódios recorrentes de NO₂ acima dos valores considerados na análise, levando os responsáveis a defender a continuação da monitorização naquele local.
O projeto encontrou também diferenças entre os valores obtidos junto às escolas e os registados pelas estações oficiais da rede nacional. A associação considera que os resultados demonstram a importância de complementar as estações fixas com medições em locais específicos onde permanecem populações mais vulneráveis, como crianças e jovens.
Desde o início, o “Respirar Fundo” envolveu diretamente cerca de 1.500 alunos e mais de 250 professores em atividades relacionadas com qualidade do ar e educação ambiental.
A iniciativa terá continuidade a partir de outubro de 2026 através do projeto “Respirar+Fundo”, que pretende chegar a instituições de ensino de outras regiões, envolver municípios e criar clubes meteorológicos escolares, além de prosseguir a monitorização da qualidade do ar.
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