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Polícia e militar apanhados na teia neonazi da PJ

A megaoperação da Polícia Judiciária contra o grupo neonazi 1143 levou à detenção de 37 pessoas, entre elas um polícia e um militar. A investigação teve caráter preventivo e visou travar crimes violentos de ódio.

A Polícia Judiciária confirmou esta terça-feira que dois dos 37 detidos na megaoperação de desmantelamento do grupo neonazi 1143 não são civis, tratando-se de um elemento da PSP e um militar. A operação, liderada pela PJ e dirigida ao grupo de supremacistas brancos encabeçado por Mário Machado, teve como principal objetivo prevenir a ocorrência de homicídios e outros crimes violentos de motivação política.

Em conferência de imprensa realizada na sede da PJ, em Lisboa, o diretor nacional Luís Neves explicou que a atuação das autoridades foi preventiva e sustentada em indícios considerados graves. “Não queremos voltar a ter pessoas mortas, casas incendiadas ou vítimas com lesões irreversíveis”, afirmou, evocando episódios marcantes da violência racista em Portugal, como o homicídio de Alcindo Monteiro, em 1995, no Bairro Alto.

Apesar de não revelar as funções concretas desempenhadas pelos dois detidos pertencentes às forças de segurança, a SIC apurou que um é polícia e o outro militar. A investigação permitiu ainda recolher indícios de ligação do grupo a uma claque de futebol, reforçando a dimensão organizada da associação criminosa agora desmantelada.

Em comunicado enviado às redações, a Polícia de Segurança Pública confirmou que um dos detidos integra o Comando Distrital de Setúbal. A PSP sublinha que aguarda informação detalhada sobre os crimes imputados ao agente, garantindo que, assim que os factos forem conhecidos, serão desencadeados os procedimentos disciplinares adequados. A força de segurança reafirma o respeito pela presunção de inocência, mas deixa claro que repudia qualquer conduta que viole os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

Luís Neves deixou também um aviso claro: todos os crimes de natureza politicamente motivada terão resposta firme da Polícia Judiciária, independentemente da origem ideológica. O responsável revelou ainda um dado considerado alarmante. Em 2019 foram registados nove crimes de ódio, número que subiu para 64 em 2025, evidenciando uma escalada preocupante deste tipo de criminalidade em Portugal.

Apesar da dimensão da operação e do número de detenções, a PJ esclarece que não foram recolhidas provas de que o grupo estivesse a preparar um ataque iminente. Ainda assim, segundo Luís Neves, existia a convicção de que, perante determinadas circunstâncias, a violência poderia concretizar-se.

A megaoperação representa um dos mais significativos golpes recentes contra estruturas extremistas em território nacional e reforça o sinal de que o Estado está atento a fenómenos de radicalização com potencial violento.


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