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Petição pela Herdade da Comenda dá 72 horas à Assembleia Municipal

Primeiro peticionário exige esclarecimentos sobre a tramitação da iniciativa e ameaça avançar com uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada.

Petição sobre a Herdade da Comenda aguarda resposta

O primeiro peticionário da petição n.º 18213/2026, “Pela Reposição da Legalidade na Herdade da Comenda“, entregou nesta segunda-feira passada, dia 31 de agosto, um novo requerimento ao presidente da Assembleia Municipal de Setúbal, Paulo Lopes, a exigir esclarecimentos sobre o andamento do processo.

Alexandre Calapez afirma que passaram 52 dias desde o registo da petição, a 10 de julho, sem que os peticionários tenham recebido qualquer comunicação sobre a sua tramitação.

Segundo o requerimento, os peticionários afirmam que ninguém os informou sobre um eventual encaminhamento para a Comissão de Trabalho competente, nem os ouviu ou lhes pediu elementos adicionais. Também não tiveram acesso a qualquer relatório ou resposta.

Peticionários apontam incumprimento dos prazos

No documento entregue à Assembleia Municipal, os peticionários invocam o artigo 53.º do Regimento, que estabelece as regras aplicáveis à tramitação das petições.

Alexandre Calapez sustenta que, caso a comissão competente tenha recebido a petição, já terminou o prazo de 30 dias previsto no Regimento para elaborar o relatório, o mais tardar, a 20 de agosto. Os peticionários defendem ainda que o prazo não ficou suspenso durante o mês de agosto, argumentando que as regras aplicáveis aos prazos administrativos não preveem essa suspensão.

Estas conclusões correspondem à interpretação jurídica apresentada pelos peticionários no requerimento e não a uma decisão ou posição já conhecida da Assembleia Municipal de Setúbal.

Número de assinaturas obriga, segundo os peticionários, à discussão em plenário

A petição n.º 18213/2026 encontra-se subscrita por mais de 250 cidadãos, de acordo com o requerimento apresentado. Os peticionários invocam, por isso, o artigo 53.º, n.º 8, do Regimento da Assembleia Municipal e sustentam que a apreciação do respetivo relatório deverá ser inscrita na ordem de trabalhos de uma sessão ordinária.

No novo requerimento, Alexandre Calapez pede que a Assembleia Municipal confirme a inscrição da apreciação do relatório na sessão ordinária de setembro de 2026.

A iniciativa defende uma intervenção sobre a situação da Herdade da Comenda, nomeadamente através do recurso à expropriação dos terrenos abrangidos pela proposta apresentada pelos peticionários, tendo como objetivo a reposição do acesso público às áreas em causa.

Estudo de impacto financeiro já está concluído

Os peticionários afirmam também ter concluído o estudo de impacto financeiro que tinham anunciado anteriormente. Segundo o requerimento, o estudo teve a sua elaboração com base em dados públicos e conclui que o custo associado à expropriação recuperar-se-ia em poucos meses através do retorno económico gerado pelo restabelecimento do acesso público.

Alexandre Calapez critica, contudo, o facto de, segundo afirma, os peticionários não terem sido chamados a colaborar na tramitação da iniciativa nem terem recebido qualquer pedido de informação ou documentação adicional.

Os peticionários apresentam o estudo como um elemento destinado a demonstrar a viabilidade económica da solução que defendem para a Herdade da Comenda.

72 horas para obter esclarecimentos

O novo requerimento estabelece um prazo de 72 horas, contado a partir da sua receção, para que a Assembleia Municipal informe os peticionários sobre o estado da tramitação da petição.

Entre os pedidos apresentados, Alexandre Calapez quer saber se a iniciativa foi encaminhada para a Comissão de Trabalho competente e, em caso afirmativo, em que data ocorreu esse encaminhamento.

Alexandre Calapez pede também que a entidade competente disponibilize o relatório previsto no Regimento, caso já o tenha elaborado, e confirme a apreciação da petição na sessão ordinária de setembro.

Providência cautelar pode avançar para o TAF de Almada

Os peticionários avisam que, caso não obtenham resposta dentro das 72 horas, irão apresentar uma providência cautelar junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada.

O requerimento invoca os artigos 112.º e seguintes e 120.º do Código de Processo nos Tribunais Administrativos e pretende que o tribunal determine o cumprimento das obrigações previstas no artigo 53.º do Regimento. Alexandre Calapez considera que estão reunidos os pressupostos para avançar com a providência cautelar, invocando a alegada violação das regras regimentais e a proximidade do final da época balnear.

A eventual apresentação da ação e a existência dos pressupostos legais invocados serão, caso o processo avance, matérias a apreciar pelo tribunal competente.

Peticionários criticam falta de decisão

No requerimento, os peticionários criticam aquilo que consideram ser uma ausência de resposta e de decisão sobre a situação da Herdade da Comenda. Alexandre Calapez recorda ainda que, segundo o documento apresentado, a atual presidente da Câmara Municipal de Setúbal já tinha defendido anteriormente um procedimento de expropriação relacionado com a Herdade da Comenda.

Os autores da petição consideram que as manifestações públicas de disponibilidade para encontrar uma solução não tiveram, até ao momento, correspondência em atos concretos.

Relembramos então que a petição n.º 18213/2026 sobre a Herdade da Comenda teve o seu registo efetuado na Assembleia Municipal de Setúbal a 10 de julho de 2026. Por outro lado, o novo requerimento foi entregue por Alexandre Calapez a 31 de agosto, colocando agora a Assembleia Municipal perante um prazo de 72 horas definido pelos próprios peticionários.


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