O Teatro de Animação de Setúbal reforça a programação de janeiro de 2026 com nove novas récitas da peça “Manual do Bom Fascista”, de Rui Zink, após semanas de lotação esgotada no Teatro de Bolso. A encenadora Célia David, que dirige a criação, confirmou que a procura do público obrigou a este alargamento do calendário.
As novas apresentações estão marcadas para 9, 10, 16, 17, 24, 30 e 31 de janeiro, sempre às 21h30, e para os dias 11 e 25, às 16h00. Com apenas 50 lugares disponíveis, o espetáculo tem forçado várias reorganizações de sala para acomodar a afluência crescente.
Definida pela encenadora como “uma paródia para rir em más companhias”, a peça reúne mais de vinte lições do livro homónimo de Rui Zink, às quais foram acrescentados diálogos originais e pequenas notas dramaturgias. A pertinência do texto e a leitura crítica sobre o avanço de discursos extremistas e manifestações radicais estiveram na origem da adaptação, concebida para provocar reflexão através do humor.
Segundo Célia David, a sociedade vive um momento em que “a situação pode ser perigosa”, tornando urgente mostrar que o público “tem uma palavra a dizer” perante o crescimento de ideologias de extrema-direita. Esta encenação ganha ainda novo simbolismo por coincidir com os 50 anos do TAS, que a diretora artística descreve como “um filho da liberdade e da democracia”.
Logo à entrada, o público recebe uma caneta e o “Fascistómetro”, um pequeno inquérito inspirado na obra original, que será recolhido durante a apresentação e avaliado de forma descontraída. Em palco, três personagens multifacetadas, vestidas em tons de amarelo, preto e cinza, funcionam como um coro que sustenta e provoca o chamado Bom Fascista, sempre caricatural, sempre vítima de si próprio.
Entre música, canções e rápidas mudanças de registo, o espetáculo aborda também o conceito de “fascista de esquerda”, explorado em várias das lições originais de Rui Zink. Imigrantes, negros, homossexuais, refugiados e mulheres surgem como alvos preferenciais do Bom Fascista, num discurso que mistura ironia e desconforto.
O elenco reúne Cristina Cavalinhos, Andreia Trindade, Cláudia Aguizo e André Moniz, com vozes off de Célia David, Duarte Victor e Miguel Assis. A coreografia é de Carlos Prado, a cenografia de Flávio Rina, figurinos e adereços de Sara Rodrigues, desenho de luz de José Santos, sonoplastia de Luís Oliveira e operação técnica de Celso Ferreira.
“Manual do Bom Fascista” mantém-se em cena até 31 de janeiro, com próximas sessões já agendadas para 12 e 13 de dezembro, pelas 21h30.
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