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PCP/Congresso: Jerónimo, entre sair pela “lei da vida” ou ficar “mais um bocadinho”

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP desde 2004, admitiu sair em 2019 porque "é da lei da vida", mas desde setembro que tem alimentado o cenário de "ficar mais um bocadinho"

 dias do XXI congresso nacional, de sexta-feira a domingo, em Loures, distrito de Lisboa, ainda não está confirmado se o operário metalúrgico natural de Pirescoxe (Loures) que foi deputado à Assembleia Constituinte, em 1975, vai ou não continuar à frente do partido dos comunistas portugueses, mas os sinais apontam para que continue.

O último foi dado numa entrevista à Lusa, na quinta-feira, embora implicitamente, quando foi questionado sobre que marca pensa ter deixado ao longo de 16 anos de liderança: “Eu hoje não estaria em condições de escrever um livro de memórias. Continuo a pensar que meu futuro, seja como secretário-geral seja como membro do comité central ou como militante, é ainda a olhar para frente. Continuo com mais projeto do que memória.”

Jerónimo de Sousa admitiu pela primeira vez não se recandidatar à liderança do partido porque “é da lei da vida”, embora frisando não ir “calçar as pantufas” até porque que se manteria como militante comunista, numa entrevista à Lusa em março de 2019.

“Toda a gente acaba por envelhecer, é lei da vida”, admitiu.

E sobre a possibilidade de não continuar na liderança, respondeu: “Sim, é possível. Também não é impossível uma outra decisão.”

Nos meses seguintes não repetiu a afirmação, mas manteve-se a dúvida. Uma e outra vez, Jerónimo insistiu que a questão do secretário-geral do partido “não será um problema no congresso”.

Em 20 de setembro, Jerónimo de Sousa, secretário-geral há 16 anos, pôs de novo tudo em aberto, no final da reunião de um comité central. Foi a primeira vez que admitiu, implicitamente, continuar à frente do PCP.

Jerónimo de Sousa aconselhou quem quisesse apostar no que vai fazer a optar por uma “tripla” – “sair, ficar ou ficar mais um bocadinho”.

Nem um mês depois, o próprio alimentou a ideia de continuar ao dizer, em 12 de outubro, numa entrevista ao programa Polígrafo, da SIC-Notícias, ao dizer sobre a sua sucessão: “O meu partido precisa ainda da minha contribuição.” 

“É o congresso que elege o comité central e o comité central que elege o secretário-geral. Tenho muita confiança no acerto da decisão do comité central, sempre com este sentimento que tenho: o meu partido precisa ainda da minha contribuição. E, sejam quais forem as circunstâncias, há uma coisa que posso garantir: continuarei a ser comunista, continuarei a dar ao meu partido o melhor que puder dar, na medida em que ele deu-me muito a mim também, na minha formação e na forma de estar na vida”, afirmou.

E disse confiar na decisão que os seus camaradas tomarem, antes de ser questionado sobre se esperava vir a ter a confiança do partido: “Não espero nem desespero. Tenho este sentimento de confiança de que haverá um acerto na decisão em relação a essa responsabilidade.”

Passados 12 dias, em 24 de outubro, o jornal Público fez manchete da notícia de que Jerónimo de Sousa continuaria mais algum tempo na liderança, semanas depois de o semanário Expresso admitir que a sucessão de Jerónimo de Sousa se faça como na década de 1990, em que Carlos Carvalhas foi número dois de Álvaro Cunhal, para, em 1992, assumir a liderança.

O nome para potencial “número dois”, oficial ou informal, segundo o Expresso, pode ser o eurodeputado e candidato presidencial João Ferreira que nada diz sobre esse cenário, para não desvalorizar as eleições a que concorre.

Nenhuma das notícias foi desmentida ou corrigida pelo PCP.

O Público escreveu que as regras sanitárias de combate à pandemia de covid-19 têm dificultado as reuniões e o debate interno prévio ao congresso do PCP.

Daí que dirigentes comunistas tenham afirmado ao jornal que, segundo as normas e a prática do PCP, uma decisão deste tipo, uma mudança de líder, “teria de ter mais envolvimento da militância” e “não se pode tomar com tão pouco espaço de discussão interna.”

Há duas semanas, numa entrevista ao Observador, Jerónimo de Sousa voltou a não dizer o que vai fazer, remetendo a decisão para o comité central, apesar de deixar também esta frase: “Não posso admitir que seja o escolhido.”


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