Uma comunidade do Bairro do Olho de Boi, no concelho de Almada, está “praticamente isolada” depois de um deslizamento ter bloqueado “o único acesso às suas casas”, alertou o PCP – Partido Comunista Português numa publicação nas redes sociais.
De acordo com o partido, a situação está a impedir a normal circulação de pessoas e a colocar em causa serviços essenciais, referindo que existem moradores “impedidos de sair e entrar”, sem recolha de lixo e com “risco no abastecimento” e no acesso a respostas básicas.
Na mesma publicação, o PCP sublinha que “o que importa não são comissões nem anúncios — é resolver a vida das pessoas”, defendendo a criação de alternativas e a mobilização de meios no terreno para “proteger quem precisa de cuidados diários”. O partido sustenta ainda que “a autarquia por si só não tem como responder” e que “o Governo tem de intervir, garantir apoios reais e agir com urgência”.
Este sábado, durante uma visita ao bairro, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, reforçou aos jornalistas que a prioridade deve ser a resposta imediata à população, desvalorizando a discussão em torno de modelos de averiguação ou estruturas formais. “O que interessa é como é que se resolve a vida das pessoas aqui”, afirmou, apontando para o impacto direto do isolamento na rotina e na segurança dos moradores.
Nas declarações, Paulo Raimundo descreveu uma comunidade que, apesar de não estar isolada por cheias, ficou na prática condicionada por um acesso bloqueado, com riscos adicionais no abastecimento de mercearia e no funcionamento de infraestruturas. Referiu, em particular, a possibilidade de falhas de eletricidade e telecomunicações e defendeu que sejam avaliadas soluções alternativas de emergência, incluindo vias de abastecimento “pelo rio” e o recurso a estruturas existentes, como pontões, além da eventual colocação de geradores, “se for necessário”, para garantir serviços mínimos.
O secretário-geral comunista salientou também a existência de pessoas em situação de maior vulnerabilidade, mencionando moradores acamados e casos de necessidade de apoio diário, nomeadamente com oxigénio, defendendo que estas situações devem ser identificadas e acompanhadas com rapidez.
No plano financeiro, Raimundo disse que, “até agora”, não chegou “nenhum apoio financeiro” às pessoas e criticou modelos de assistência assentes em empréstimos, afirmando que há quem ainda esteja a pagar créditos associados a apoios anteriores, referindo-se a uma “tempestade Wes”. Acrescentou ainda que, segundo afirmou, há candidaturas a apoios relativos a incêndios do ano passado em que “mais de metade das pessoas” continua sem saber se vai receber algum apoio, defendendo que “com anúncio e propaganda isto não vai lá”.
O PCP insiste que a resposta deve ser articulada com meios reforçados e com uma intervenção do Governo de Portugal, argumentando que a dimensão do problema ultrapassa a capacidade de resposta exclusiva da Câmara Municipal de Almada.

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