Opinião

Patriotismo é dar futuro à Juventude

Um artigo de Margarida Ascenso, vogal da Juventude Popular de Setúbal

No dia 10 de junho, celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Para muitos, este é apenas mais um feriado no calendário, no entanto para nós, jovens que acreditamos no potencial do nosso país, é um momento de profunda reflexão sobre quem fomos, quem somos e, acima de tudo, quem queremos ser.

Celebrar Portugal não é um ato de nostalgia estéril. Não se trata apenas de olhar para o passado com orgulho e cruzar os braços no presente. Ser patriota hoje, é assumir o compromisso vivo de defender a nossa identidade, as nossas tradições e a nossa soberania, projetando-as num futuro de prosperidade.

Como setubalense, sinto este apelo de forma muito vibrante. Setúbal, terra de rio, de mar, de trabalho e de resiliência, foi daqui que outrora partiram navegadores, e é daqui que hoje devem partir as ideias e a irreverência que farão Portugal avançar. O mar que banha a nossa costa não é uma barreira, é uma plataforma de oportunidades que teima em ser subaproveitada.

Para que esta plataforma ganhe vida, é urgente criar um ecossistema que apoie o empreendedorismo jovem e atraia investimento real para a nossa região. Setúbal precisa de lideranças que percebam que a economia não se desenvolve sufocando as empresas com burocracia e taxas, mas sim libertando o potencial daqueles que querem criar emprego, inovar e gerar riqueza na sua própria terra.

Infelizmente, o Portugal de hoje enfrenta um dos seus maiores desafios demográficos e sociais: a fuga de cérebros. Celebramos as nossas Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo, e devemos fazê-lo com orgulho, pois levam a nossa portugalidade além-fronteiras, mas não podemos aceitar com passividade que a emigração jovem seja a única saída para uma geração sufocada por impostos, pela falta de habitação acessível e por salários que não acompanham o custo de vida.

Honrar o Dia de Portugal é garantir que a nossa geração não é empurrada para fora do país.

Significa criar políticas de habitação, emprego e fiscalidade que permitam aos jovens namorar, casar e construir família na sua terra natal. No caso de Setúbal, uma região com um potencial económico e cultural extraordinário, isto exige coragem política para romper de vez com o imobilismo que nos atrasa e nos impede de reter o nosso maior talento.

Neste Dia de Portugal, a Juventude Popular reafirma que a nossa identidade nacional é o alicerce mais seguro para enfrentar a globalização. Não queremos um país cinzento, sem memória e sem ambição.

Queremos um Portugal orgulhoso da sua história, da sua cultura e da sua língua, mas de olhos postos no futuro.

O conformismo é o maior inimigo de Portugal. Aos que nos dizem para esperar, aos que governam de costas voltadas para a realidade da juventude e aos que se contentam com a mediania, contrapomos a nossa irreverência.

O Dia de Portugal é o momento ideal para lembrar que a alternativa se constrói com ideias claras, valores sólidos e com a coragem de quem não tem medo de incomodar o sistema

estabelecido.

A Camões, que cantou as armas e os barões assinalados, respondemos hoje com a energia de uma juventude que não desiste de Portugal. O futuro do nosso país não está escrito, está nas nossas mãos. E nós, Juventude Popular, estamos prontos para o construir.


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