Opinião

PASSIVIDADE AMBIENTAL

O partido CHEGA apresentou, no passado dia 20, na Assembleia Municipal do Seixal a moção “Pelo fim da Lagoa das Naftas”. A moção foi aprovada, com os votos do CHEGA, do PS, do PSD e do PAN. Sem surpresas, a CDU na qual participa o satélite “Os Verdes” votou contra, e o BE, que grita “Não há planeta B!”, absteve-se.

A moção colocou duas exigências ao executivo municipal, eleito pela CDU: a adoção de medidas imediatas de sinalização e a vedação do local e a definição de um prazo para a resolução do problema. Porque é que colocámos estas duas exigências? Porque fomos ver o problema com os nossos próprios olhos, nas semanas que antecederam a sessão da Assembleia Municipal. Concluímos o óbvio: a Lagoa das “Naftas” é uma armadilha perigosa e imunda e aguarda, há décadas, uma solução, sem um único sinal visual que alerte para o perigo. Afinal, esta lagoa está longe da Baía do Seixal… Não prejudica nem o negócio imobiliário, nem as imagens do Seixal que se publicam nas redes sociais. E nem belisca a aparência de “município verde”, que aposta nas energias renováveis e se candidata à construção de uma Central de Produção de Hidrogénio.

O PS, desejoso de se afastar das responsabilidades que lhe cabem, enquanto oposição no Seixal e governo do país, foi igual a si próprio. Optou por uma “chico-espertice”: após o CHEGA conseguir a aprovação da moção, os deputados do PS, eleitos por Setúbal, foram, à pressa, “questionar”, o ministro do Ambiente sobre o assunto. E tudo continuará na mesma… Este caso arrasta-se há décadas. Dois canídeos ficaram, há pouco tempo, atolados neste pântano de óleo e morreram. Existe, nas imediações, um pelado de futebol. E se as próximas vítimas forem crianças? Sabemos o que acontecerá: sofrimento, lágrimas e uma troca de acusações entre entidades que andam, há décadas, a “acompanhar o problema”.

Acreditamos convictamente neste pleonasmo: não se pode ser passivo perante o passivo ambiental. Fizemos aprovar duas moções, uma em 2022 e outra em 2023, relativas à necessidade de controlar a qualidade do ar e a saúde da população, no concelho do Seixal, sobretudo na zona adjacente à MEGASA. E continuaremos a pressionar o executivo municipal para que a atividade industrial, indispensável à atividade económica, seja acompanhada pelo cuidado com a saúde pública. Porque não sejamos ingénuos: a autorregulação e o bom-senso não fazem parte da cultura do nosso país. A história de muitos problemas que poderiam ter sido evitados, em Portugal, faz-se de requerimentos, diálogo e trocas de acusações entre entidades do Estado.

Nuno Capucha, deputado da Assembleia Municipal do Seixal, eleito pelo CHEGA.


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