Há dias que ficam gravados para sempre na memória de uma comunidade. Em Palmela, o dia 13 de julho de 2022 é um desses momentos. Quatro anos depois, as marcas deixadas pelo grande incêndio que consumiu centenas de hectares entre Palmela, Aires, Baixa de Palmela e Quinta do Anjo continuam presentes na paisagem e, sobretudo, na memória de quem viveu um dos dias mais difíceis da história recente do concelho.
Naquele início de tarde, um incêndio de rápida propagação transformou, em poucas horas, uma das mais belas paisagens do concelho num cenário de enorme destruição. Alimentadas pelas temperaturas extremas e pelo vento forte, as chamas avançaram em várias frentes, obrigando à evacuação de habitações, do perímetro do Castelo de Palmela, de um campo de férias, de um centro social e de outras zonas em risco.
O combate mobilizou um impressionante dispositivo de socorro. No momento mais crítico estiveram envolvidos 521 operacionais, apoiados por 140 viaturas, dois aviões e dois helicópteros. O balanço final registou 12 feridos — nove bombeiros, dois civis e um militar — e cerca de 430 hectares de área ardida, grande parte inserida no Parque Natural da Arrábida.
Comunidade Unida Frente ao Desastre
Mas se o incêndio mostrou o pior que a natureza, aliada às condições meteorológicas, pode provocar, revelou igualmente o melhor de uma comunidade. Assinalando o quarto aniversário da tragédia, Luís Miguel Calha, que em 2022 exercia funções de vice-presidente da Câmara Municipal de Palmela, publicou uma emotiva carta dirigida aos bombeiros portugueses e também dirigida a um dos melhores Comandantes de Bombeiros que passou por Palmela, a carta também é dirigida ao ex-presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Palmela, Octávio Machado.
No texto, recorda a angústia daqueles dias, os inúmeros pedidos de ajuda e o sofrimento de uma população que viu as chamas aproximarem-se das suas casas, mas faz questão de sublinhar aquilo que considera ter sido a maior vitória: a união. “Portugal esteve ao lado de Palmela, e Palmela jamais esquecerá esse gesto”, escreve Luís Calha, dirigindo um agradecimento especial aos bombeiros de todo o país que percorreram centenas de quilómetros para proteger o concelho.
Na mesma mensagem, destaca igualmente o papel das corporações de bombeiros de Palmela, Pinhal Novo e Águas de Moura, da Proteção Civil, dos trabalhadores municipais, das juntas de freguesia, das instituições, empresas, voluntários e de centenas de cidadãos que, de forma espontânea, entregaram água, alimentos, equipamentos e apoio logístico. “Cada pessoa contou. Cada gesto fez a diferença. Cada palavra transmitiu a força necessária”, escreve ainda o antigo autarca.
Também o Município de Palmela reconheceu, na altura, o esforço coletivo desenvolvido durante aqueles dias dramáticos, aprovando votos de saudação aos bombeiros, agentes de proteção civil, trabalhadores municipais, juntas de freguesia, associações. Esta resposta unida e solidária é uma marca indelével na história recente de Palmela, refletindo o espírito resiliente e colaborativo da sua gente.
Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt
Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito









