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Palmela arde em críticas na Queima do Judas

A Queima do Judas em Palmela trouxe críticas duras ao país e ao mundo, com mensagem lida no Judas da Câmara e percurso marcado pelas ruas da vila.

A Vila Histórica de Palmela voltou a encher-se na noite de sábado, véspera de Páscoa, para uma das tradições mais marcantes do concelho. A Queima do Judas reuniu centenas de pessoas e voltou a transformar a cultura popular num espaço de crítica social e política.

Pelas 21h00 iniciou-se mais uma vez a tradição em Palmela, foram pendurados, escumugados e queimados 12 judas, cada um com mensagens associadas à realidade atual. A iniciativa manteve o seu caráter simbólico, mas com um tom claro de intervenção, refletindo preocupações sentidas pela comunidade.

O momento mais forte registou-se no Largo de São João, onde o “Judas da Câmara Municipal de Palmela” concentrou a atenção do público. Foi neste ponto que surgiram os recados mais diretos, dirigidos ao poder local, ao poder central e também à situação internacional.

A mensagem que acompanhou a iniciativa, lida junto ao Judas da Câmara de Palmela, reforçou o valor da democracia e da liberdade conquistadas com o 25 de Abril. No texto, é sublinhado que foi o amor, e não o ódio, que abriu caminho à democracia em Portugal .

Ao mesmo tempo, são deixados alertas sobre o presente. A perda gradual de direitos, o enfraquecimento dos serviços públicos e as dificuldades no acesso à saúde, educação e habitação surgem como preocupações centrais. A pressão económica e o custo de vida são também apontados como desafios crescentes para as famílias.

A tradição voltou também a percorrer vários pontos da vila, num trajeto que reforça a ligação entre a comunidade e o evento. O percurso incluiu o Largo dos Loureiros, Largo do Município, Praça Duque de Palmela, Largo D. Afonso Henriques, Largo D. João I, Largo do Mercado, seguindo depois pelo entroncamento entre a Rua Hermenegildo Capelo e a Rua Heliodoro Salgado, passando ainda pelo Largo do Marquês de Pombal, entroncamento da Rua Augusto Cardoso com a Rua Frei Jerónimo Brito de Melo, Largo Passo da Formiga, terminando no Largo de São João, onde decorreu o momento final.

A mensagem vai além do plano nacional, incluindo um apelo à paz e à rejeição de conflitos, com referências a acontecimentos históricos marcantes como forma de alerta para o futuro. A defesa da soberania nacional e da afirmação de Portugal no mundo também é destacada.

Num registo simbólico, o texto evoca figuras como Camões, Sophia e Pessoa, questionando o rumo atual do país e sublinhando haver ainda um caminho por cumprir.

O encerramento deixa uma marca emocional, com um apelo à celebração da liberdade, da Constituição e dos direitos conquistados. A despedida é feita com uma nota que ficou na memória de quem assistiu: “Vivam bem o novo ano que eu volto em 2027”.

A Queima do Judas em Palmela confirma-se, assim, como muito mais do que uma tradição. É um momento de expressão coletiva onde cultura, crítica e identidade cruzam-se, refletindo as inquietações e expectativas da comunidade.


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