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Os nossos autarcas… Roberto Cortegano faz balanço de meio ano de mandato

Um olhar sobre um concelho que poderia dar mais e que dá menos

No concelho de Palmela as eleições autárquicas trouxeram profundas mudanças, mas o eleitorado do PSD manteve-se fiel e continuou a eleger um vereador, cuja escolha recaiu em Roberto Cortegano.

O atual vereador social democrata reconheceu “não devo ser eu a avaliar o trabalho feito, pois essa função compete aos munícipes, mas reconheço que tem sido um balanço muito positivo” e “tenho procurado ser uma oposição construtiva”.

Roberto Cortegano foi eleito há seis meses vereador do PSD. O autarca natural de Alhos Vedros e residente há alguns anos no Pinhal Novo assume-se como caramelo do coração e lembra “há mais de uma dezena de anos como pai de uma escoteira, vesti o traje caramelo com muita honra e assumi as raízes desta terra onde vivo e trabalho”.

Muitas coisas continuam estagnadas

Com a modéstia que o caracteriza, reconhece “quem deve avaliar o meu trabalho terão de ser os munícipes, mas reconheço que tornei público alguns problemas que existem há anos” e cita o lixo e a limpeza urbana, a mobilidade, onde os aceiros “continuam a ser mal tratados”, mas admite “o maior problema é a CDU ganhar e as coisas continuam estagnadas”.

A lei é igual para todos, mas em Palmela não se cumpre

A falta de habitação é um problema gritante no concelho de Palmela. A autarquia continua a “ter falta de fiscais”, reconhece o vereador social-democrata, e, apesar da lei “ser igual para todo o país, em Palmela não de cumpre”.

As competências do município na área da Educação “foi alvo de legislação igual para todo o país. Só a câmara de Palmela é que não quer assumir as responsabilidades” e defende “tem que se rever o rácio das escolas e assumir esta descentralização de competências”.

A falta de habitação é um problema gritante no país e o concelho de Palmela não é exceção, lembra Roberto Cortegano, que lamenta “existem tantas casas móveis no concelho” e a Câmara “devia alertar que essas casas têm de ter licenciamento” e não deixa de reconhecer “há falta de fiscais, que agrava o problema”.

As casas são implantadas em terrenos rurais, que são arrendados e onde nascem casas em vários locais, não estando preparadas para o saneamento. Por outro lado, a autarquia não consegue controlar a situação, que se agrava cada vez mais, conforme denunciou na penúltima sessão o vereador Pedro Taleço responsável pelo pelouro, que revelou estarem identificados sete locais em que se instalaram casas móveis. Mas há também várias casas construídas de forma ilegal, pois tal como explicou Roberto Cortegano “cada um constrói sem regras, sem licenciamento e sem intervenção da fiscalização”.

O autarca social democrata admite que o problema “é grave e a lei não se cumpre em Palmela”. E lembra o problema da falta de limpeza dos terrenos “alertámos para o que se passa na zona da Arrábida, onde os corta-fogos estão totalmente obstruídos e ninguém está a limpar”.

Estrada da Cobra cortada à circulação

Roberto Cortegano reconhece que “o ideal seria estar aberta”, mas face ao deslizamento de terras e com a falta de segurança o melhor “é precaver antes que ali aconteça uma situação mais grave”.

O vereador reconhece que a criação de uma instituição intermunicipal “pode ajudar a mobilizar fundos de apoio para beneficiar a bacia de Setúbal e ajudem a distribuir apoios às zonas mais carenciadas” e defende “a AMRS já não fazia falta, agora ainda se justifica menos a sua existência, com a saída da maior parte dos municípios deixa de ser apoiada e estamos a alimentar um moribundo”. O autarca lembra que a AMRS apenas “tem o projeto da Península Digital que está completamente obsoleto”.

Palmela vai ser o caixote do lixo da Amarsul

Roberto Cortegano encara com grande preocupação e assume estar indignado com o aumento do aterro da Amarsul. E destaca “espero que tal não aconteça, pois Palmela não tem de ser solidária com os outros municípios só porque tem um território maior” e recorda “a Amarsul está a deitar resíduos para o solo, que está a ser contaminado e não devemos assumir a responsabilidade de aumentar o aterro porque o Seixal quer fechar por falta de capacidade”. O vereador do PSD recorda as palavras do presidente da Câmara da Moita que “veio a terreiro dizer que Palmela vai ser um caixote do lixo”.

Alargamento ou fusão de eventos?

O vereador social democrata considera que o alargamento da Mostra de Vinhos de Fernando Pó à Península de Setúbal “terá um potencial maior e estou na expetativa que se vejam finalmente resultados sobre a aldeia vinhateira, e espero agora fique conhecida”.

Já sobre a hipótese da fusão de eventos para “reduzir custos não concordo”, pois “a ideia não faz muito sentido”. O Mercado Caramelo e as Festas Populares do Pinhal Novo “são dois eventos distintos, que atraem milhares de visitantes, que vêm de toda a Área Metropolitana de Lisboa para assistirem às nossas tradições, saborearem a sopa caramela e a doçaria local”.

A falta de revisão do PDM

A aprovação da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) é encarada com grande preocupação por parte do vereador do PSD, pois “trata-se de um documento importantíssimo para a gestão do concelho”. O documento é de 1997 e já “foi duas vezes assunto de debate na Assembleia Municipal e acabou por ser reprovado. Não sei se há algum município no país que não tenha PDM”.

Perfil

Nome: Roberto Cortegano

Idade: 51 anos

Profissão: Gestor Contabilístico

Naturalidade: Alhos Vedros

Residência: Pinhal Novo

Percurso Político: Militante do PSD há 15 anos

Um sonho: Que a minha filha tenha sucesso


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