Os Jovens são o futuro e na Cultura não é excepção
Vasco Beja, Vogal da Juventude Popular de Setúbal

A corrida de Setúbal a Capital Portuguesa da Cultura 2028 arrancou no passado mês de julho. A juventude foi, claramente, convocada para apimentar e recheá-la. Afinal, não se fartam de nos repetir, em cada canto do mundo e arredores, que “os jovens são o futuro”?
O grande problema dessa frase feita é que ela serve, na maioria das vezes, como a desculpa perfeita para nos manterem à margem das decisões no presente.
Ser “o futuro” é ótimo para a retórica, mas costuma dar direito apenas a um lugar na plateia. E mesmo assim, que pequeno e distante lugar.
Como membro do Conselho Municipal de Juventude (CMJ), assisto de camarote a esta tentação crónica de olhar para a nossa geração como um bonito porta-chaves: o público-alvo perfeito para encher e compor a fotografia de família do município. Mas a Juventude Popular não quer fazer número, para isso já há outras que o façam.
Apresentámos recentemente um pacote de propostas concretas para apoiar a candidatura a Capital da Cultura. E, como sabemos bem que na política as boas ideias têm o péssimo hábito de ganhar pernas e aparecer magicamente nos programas alheios, não vamos destapar já o “bolo” todo. Quem quiser que ponha a cereja no topo.
Fica apenas a pista aos curiosos: não aceitamos que os jovens sejam figurantes.
Queremos uma estrutura onde a juventude ganhe papel na promoção de eventos culturais, devidamente capacitada para o fazer, assumindo o contacto nas escolas, nas instituições de ensino superior e no mundo digital.
Em segundo lugar, sabemos que o amor institucional pelos jovens costuma acabar subitamente quando se chega à folha, quanto mais aos números. Por isso, as nossas propostas pretendem blindar o orçamento. Queremos que uma fatia do orçamento do evento seja dedicada aos jovens para que criem os seus próprios projetos neste âmbito. Já chega de consumirmos a cultura que os mais velhos acham que nós queremos ver, chegou a hora de sermos nós a ditar o guião.
Por fim, no meio de tanto debate cultural, era impossível ignorarmos a figura mais irreverente desta cidade. Num momento em que Setúbal quer dar cartas no país, propusemos mecanismos estruturais para resgatar Bocage do seu memorial de pedra e catapultá-lo para uma estratégia nacional de leitura e reconhecimento.
Uma verdadeira Capital da Cultura não abandona os seus nos perdidos e achados.
Setúbal tem todas as condições para brilhar em 2028. Se esta candidatura acreditar genuinamente que os jovens são o futuro, então começará por nos dar acesso ao palco no presente.
Chega de nos guardarem para o que ninguém quer fazer.
Deem-nos espaço para participar e nós comprometemo-nos a não deitar a casa abaixo. Essa ficará intacta, mas a porta ficará escancarada para deixar entrar ar fresco, de que tanto precisa.
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