Ormuz fecha o punho e Portugal sente
O Estreito de Ormuz reaviva o nervosismo nos mercados após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, com o petróleo a subir e o risco de contágio a chegar a Portugal. O economista Ricardo Ferraz alerta que a fatura pode surgir primeiro nas gasolineiras e, depois, no custo de vida.
Portugal está a milhares de quilómetros do Irão, mas a economia não vive de distância, vive de preços. E quando o conflito mexe nos grandes termómetros globais, o impacto pode entrar cá sem pedir licença. É essa a leitura de Ricardo Ferraz, que admite ser impossível quantificar, para já, a dimensão do choque, mas aponta sinais imediatos nos mercados internacionais: petróleo acima dos 80 dólares por barril, com cenário de poder aproximar-se ou ultrapassar os 100, gás natural em alta e bolsas a cair, num retrato clássico de ansiedade dos investidores.
O epicentro do risco está num nome que já fez história na energia e na geopolítica: Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo. É ali que o mundo mede a pulsação do crude e onde qualquer ameaça se traduz em preço. Dados internacionais citados no texto-base apontam para mais de 20 milhões de barris por dia a atravessarem aquele ponto, uma artéria demasiado estreita para um planeta demasiado dependente.
Segundo o mesmo enquadramento, nas últimas 48 horas o tráfego de petroleiros e cargueiros terá caído cerca de 70%, elevando o risco de constrangimentos na oferta global. E há um efeito dominó que raramente falha: quando o risco sobe, os prémios de seguro marítimo tendem a encarecer e esse custo acaba por contaminar o preço final. Numa economia pequena e aberta como a portuguesa, sublinha Ferraz, o que acontece lá fora acaba por bater cá dentro, sem filtro.
O primeiro teste faz-se ao balcão das estações de serviço. Com o crude a acelerar, a expectativa é de subida dos combustíveis num curto espaço de tempo. A seguir, o impacto tende a espalhar-se, porque energia mais cara puxa por transportes, produção e distribuição, reacendendo pressão inflacionista, numa dinâmica que o país já conhece de crises recentes.
E quando a inflação volta a ganhar força, entra em cena a variável que pesa diretamente nos orçamentos familiares: juros. Ferraz admite que, com preços a subir, Banco Central Europeu e Reserva Federal podem ser empurrados para nova subida de taxas para travar a escalada, o que teria reflexo em cadeia, sobretudo no crédito à habitação, com prestações potencialmente mais pesadas.
Portugal, lembra o economista, não depende de forma determinante do petróleo do Médio Oriente, importando combustíveis fósseis sobretudo de Nigéria, Argélia e Brasil. Mas, num mercado global, a origem não imuniza: se a oferta mundial aperta, o preço internacional sobe e o mercado nacional acompanha. Num cenário mais severo, o risco é o de um novo ciclo de subida de preços e abrandamento económico, num contexto europeu já frágil, com Alemanha praticamente estagnada e a Zona Euro a crescer cerca de 1%. Ainda assim, Ferraz afasta para já o cenário de recessão em Portugal e sublinha que, se a crise for rapidamente contida, os preços podem estabilizar ou recuar.
O alerta chega numa fase particularmente sensível, após impactos internos recentes associados a tempestades que atingiram empresas exportadoras na região de Leiria, aumentando a incerteza. A mensagem final é simples e desconfortável: mesmo longe do mapa do conflito, Portugal não está longe da fatura.
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Porque não fazem também estas variações de preços para as sucatas eléctricas mas e só os de combustão que teem que sustentar os outros 😡😡