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Organizações de Utentes acusam Governo de querer “a privatização do serviço público”e contestam fecho de urgência de obstetrícia do Barreiro

Doze organizações de utentes do Barreiro assinaram um manifesto no qual criticam o encerramento da urgência de ginecologia e obstetrícia do Barreiro e que pretendem entregar à ministra da Saúda na sexta-feira. Acusam o Governo de promover a privatização do acesso aos cuidados de saúde.

Foram encerradas as urgências de ginecologia e obstetrícia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, embora a maternidade se mantenha em funcionamento. A decisão está a ser fortemente contestada por 12 organizações de utentes, que no sábado estiveram reunidas em Pinhal Novo.

Num manifesto que será entregue à Ministra da Saúde na sexta-feira, os signatários alertam que o fecho poderá agravar os constrangimentos já existentes, sobrecarregar o Hospital Garcia de Orta e aumentar o risco de partos fora do ambiente hospitalar, sobretudo devido às distâncias entre os concelhos servidos pelo Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e o Garcia de Orta, em Almada.

As organizações recordam ainda que a região enfrenta problemas estruturais no acesso à saúde, como cerca de 252 mil utentes sem médico de família e uma taxa de mortalidade infantil superior à média nacional.

Há partos realizados em ambulâncias devido ao reencaminhamento das grávidas para o Hospital Garcia de Orta e para hospitais da Grande Lisboa, na margem norte do Tejo.

Na urgência obstétrica do Barreiro, é também indicado, foram realizados entre 2014 e 2024 mais de 16 mil partos.

Os movimentos de utentes defendem que, em vez da centralização, o Governo deveria apostar no reforço do investimento no serviço público, nomeadamente na construção do Hospital do Seixal, na reativação do Hospital do Montijo e na melhoria dos cuidados de saúde primários.

“O que se impõe é uma opção clara pelo investimento no serviço público de saúde, dotando os centros de saúde e os hospitais da Península de Setúbal dos meios financeiros, humanos e materiais necessários para responder às necessidades da população. É com esse compromisso que continuamos atentos, exigentes e confiantes de que é possível construir um Serviço Nacional de Saúde melhor, em defesa dos utentes”, advogam no documento.

Na sua opinião, o objetivo destas alterações na saúde é “claramente a privatização do serviço público”, apontando para o crescimento da oferta privada e o aumento dos custos para os utentes.

“Enquanto se apregoa o `caos` no Serviço Nacional de Saúde, cresce a oferta privada de camas e serviços. Com o crescimento exponencial da oferta privada, começam já a aumentar o preço dos seguros e a diminuição dos serviços convencionados”, afirmam.

Entendem as organizações que o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Barreiro tem tido um papel fundamental na prestação de cuidados às mulheres da região e que o encerramento das urgências compromete a segurança da resposta materno-infantil.

O documento foi assinado pelas comissões de utentes da saúde de Almada, do Seixal, de Setúbal, do Montijo, do Bairro dos Martinheiros e de Palmela.

Assinaram-no ainda a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Concelho do Barreiro, a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, a Comissão Representativa dos Utentes dos Serviços Públicos de Saúde da Quinta do Conde, a Comissão de Utentes de Pinhal Novo, a Comissão de Utentes de Serviços Públicos do Concelho de Sesimbra e o Movimento dos Utentes de Serviços Públicos.

Nova urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal

Esta quarta-feira entrou em funcionamento a nova urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, uma medida do Serviço Nacional de Saúde para responder à falta de profissionais nesta especialidade, mas que está a gerar forte contestação por parte dos utentes e autarcas da região.

O novo modelo, considerado excecional, centraliza o atendimento em dois polos: o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que assume o papel de hospital-sede com apoio perinatal diferenciado, e o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, responsável pela população da sua área de influência, que inclui concelhos como Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines.

Segundo a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, esta reorganização pretende garantir maior previsibilidade e segurança às utentes, num contexto de escassez de médicos que tem dificultado o funcionamento regular das urgências obstétricas, sobretudo na Península de Setúbal.

Este modelo de urgências regionais prevê a concentração do atendimento entre unidades localizadas até 60 quilómetros de distância quando não é possível assegurar o funcionamento simultâneo de todas. A solução já tinha sido aplicada em março no Hospital de Loures, sendo esta a segunda implementação no país.

Apesar de o Governo apresentar a medida como uma resposta temporária à falta de profissionais, a contestação local evidencia preocupações quanto ao impacto na segurança e no acesso aos cuidados de saúde materno-infantil na região.

*Com Lusa


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