Oito em cada 10 idosos não conseguem pagar o lar apenas com a reforma
A maioria dos idosos que vive em estruturas residenciais não consegue suportar os custos do lar apenas com os seus próprios rendimentos. A conclusão é de um estudo da DECO PROTeste, que aponta também dificuldades no acesso a vagas e um forte impacto financeiro nas famílias.
Quase oito em cada dez idosos que vivem em lares dependem do apoio financeiro das famílias para suportar os custos de alojamento e assistência. A conclusão consta de um estudo da DECO PROTeste realizado junto de familiares de utentes de estruturas residenciais para pessoas idosas.
Segundo os dados divulgados pela associação de defesa do consumidor, 79% dos idosos não conseguem pagar a permanência no lar apenas com os rendimentos que recebem, transferindo grande parte desse encargo para filhos, netos ou outros familiares.
Os números revelam que a despesa média mensal associada a um lar ronda os 1.343 euros, considerando mensalidades e outros custos adicionais. Este valor supera em cerca de 462 euros os rendimentos médios dos utentes.
A situação é particularmente expressiva na Área Metropolitana de Lisboa e na região Norte, onde a diferença entre o valor pago pelas famílias e os rendimentos dos idosos é ainda mais acentuada.
Além do desafio financeiro, muitas famílias enfrentam também dificuldades na procura de uma vaga. O estudo indica que 44% dos inquiridos encontraram obstáculos no acesso a uma instituição, sobretudo nas IPSS e Misericórdias, onde os tempos de espera tendem a ser mais prolongados.
Em média, passam cerca de cinco meses entre a inscrição e a admissão de um utente, podendo o período de espera ultrapassar os sete meses em algumas situações.
Perante a escassez de lugares disponíveis, muitas famílias acabam por optar por instituições que não eram a sua primeira escolha, privilegiando a disponibilidade imediata em detrimento da localização ou das condições inicialmente pretendidas.
A DECO PROTeste considera que o envelhecimento da população portuguesa exige uma resposta mais robusta por parte do Estado e defende o reforço da capacidade dos lares, maior transparência nos custos praticados e melhores condições para os profissionais do setor.
A associação apela ainda ao aumento dos cuidados de saúde e do acompanhamento especializado prestado aos idosos, procurando garantir que o acesso a um envelhecimento digno não dependa exclusivamente das possibilidades económicas das famílias.
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