Opinião

O seu próximo Hambúrguer

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

Breve reflexão sobre a indústria da carne falsa.

Foi recentemente publicada uma revisão sistemática (1), atestando que “quanto maior for a ingestão de alimentos ultraprocessados maior o risco para a saúde” – esta revisão, que inclui 45 análises e um total de 9 888 373 participantes, conclui da directa correlação entre o consumo de comida industrialmente processada e a incidência e prevalência de 32 estados patológicos, nomeadamente cancro, disfunção metabólica e doença mental, respiratória, cardiovascular e gastrointestinal. O declínio cognitivo (2) e a obesidade (3) são também directamente associados aos hábitos alimentares da modernidade e ao consumo regular de comida industrializada. Assim e considerando os efeitos inequivocamente estabelecidos, será uma questão de tempo até que a verdade desmascare os efeitos nefastos para a saúde das carnes cultivadas em laboratório – o epítome dos alimentos processados.

O filme “Beyond Impossible – The Truth Behind the Fake Meat Industry” expõe a corrupção e revela a verdade inconveniente, acerca dum mundo onde as boas intenções no que concerne à alimentação, à saúde e ao ambiente, são exploradas e subvertidas pela ideologia woke e pela elite globalista empenhadas em instituir políticas planetárias que destroem completamente o livre arbítrio, na cozinha mas não só… Este documentário além de criticar as actuais políticas globais que pressionam por alternativas à carne biológica, alerta para uma agenda mais lata que irá comprometer a segurança alimentar e a saúde individual – recomendo a visualização (4).

A carne produzida in vitro consiste em biomassa comestível cultivada a partir de células estaminais animais mas, conforme observado por Michael Hansen, PhD, cientista sénior da Consumer Report, as alternativas à proveniência pecuária não passam de “junk food” geneticamente modificada e cheia de esteróides. O perfil nutricional da carne simplesmente não pode ser replicado artificialmente pois enquanto matriz alimentar a carne (como qualquer outro alimento natural) é mais do que a soma dos seus nutrientes (6,7). Nada de bom poderá, portanto, resultar da preconizada transição alimentar de alimentos reais para sucedâneos fabricados pelo homem, pois a comida sintética ou ultraprocessada jamais será tão saudável quanto a comida “de verdade” (8).

A carne falsa carece de muitos nutrientes essenciais encontrados na carne natural incluindo aminoácidos específicos, tais como a glicina, a prolina e a hidroxiprolina, que constituem a matriz do tecido conjuntivo e são cruciais para a estrutura e função muscular e para a saúde em geral. Em contra-partida as neo-proteínas, como por exemplo a leghemoglobina de soja (usada para conferir sabor à carne artificial), não estão completamente compreendidas e não estão estudados os seus efeitos a longo prazo. Acrescendo o facto das proteínas vegetais não colmatarem a totalidade das necessidades fisiológicas do corpo humano, nomeadamente em colagénio, o paradoxo e o perigo desta corrente de substituição alimentar é que, os alegados substitutos vegetais da carne, não são realmente feitos à base de vegetais mas de amido, de proteínas sintéticas e de óleos de má qualidade, produzidos a partir de sementes geneticamente modificadas que contribuem, entre outras disfunções, para a destruição da função mitocondrial (9).

Apesar das alegações de sustentabilidade, os estudos demonstram que as alternativas à carne implicam a emissão de gases com efeito de estufa em muito maior escala que as práticas pecuárias. E a prova científica suporta os métodos agrícolas regenerativos demonstrando serem muito mais benéficos para o ambiente (10,11,12,13).

Há décadas que o Fórum Económico Mundial promove a ideia que os alimentos de origem animal produzidos in vitro e as culturas transgénicas são a única solução para salvar o planeta.  A pecuária passou a ser demonizada e regulada ad nauseam, com o objectivo de ser substituída pela cultura de insectos (a chamada micro-pecuária), por sementes geneticamente modificadas (GMO), carne cultivada em laboratório e produtos sintéticos – tudo em nome do combate à fome, da protecção do ambiente e da inversão das alterações climáticas. E assim, pela hiper-regulação, se obriga, pela exaustão, pelo desespero ou pelo aliciamento monetário, ao encerramento das explorações agro-pecuárias. Uma vez eliminados os animais e as culturas biológicas e uma vez substituídos por alternativas patenteadas derivadas de plantas, de leveduras, de bactérias, de fungos ou de insectos, estará efectivado o controle do fornecimento alimentar por multinacionais privadas que, na posse das patentes alimentares, dominarão o mundo.

A oligarquia globalista fundamenta a sua estratégia na alegação, enviesada, de que a agricultura industrial utiliza 75% das terras produzindo apenas 30% dos alimentos globalmente consumidos. O que não revela (porque não convém) é que as pequenas explorações, por respeitarem a biodiversidade, utilizam apenas 25% da terra fértil mas colmatam 70% das nossas necessidades dietéticas, pelo que dizimar a agricultura tradicional dificilmente será a solução para a fome global. A agricultura regenerativa gera um ecossistema completo, simultaneamente, curativo para a terra e produtivo para os agricultores que a mantêm. Existe um plano coeso que se expressa na propaganda fanática em prole do consumo de carne processada e que visa o controlo da população, a implementação dum governo mundial e a destruição da cadeia de abastecimento alimentar. Se quisermos ser livres, se quisermos segurança alimentar e se quisermos ser saudáveis temos o dever de resistir e de obrigar à mudança de paradigma:

  • Concentrando os nossos esforços na construção dum sistema descentralizado de distribuição alimentar que conecte as comunidades aos agricultores que produzem e distribuem alimentos biológicos naturais e de forma  genuinamente sustentável.
  • Cumprindo o mantra “descascar mais e desempacotar menos” pois não será possível  reverter os problemas de saúde causados pelos alimentos ultraprocessados com ainda mais alimentos ultraprocessados, que é o que são todas as alternativas à carne.

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REFERÊNCIAS:

  • 1 The BMJ, 2024; 384:e077310
  • 2 Alzheimer’s Association, August 3, 2022
  • 3 Cell Metabolism 2023;35(4), Summary
  • 4 YouTube Gravitas Documentaries, Beyond Impossible
  • 5 Bohrer, GM. Food Science and Human Wellness Volume 8, Issue 4, December 2019, Pages 320-329
  • 6 Organic Insider June 8, 2022
  • 7 Animal Frontiers April 15, 2023
  • 8 Nutrition Insight April 17, 2023
  • 9 Nutrition Insight December 9, 2022
  • 10 Independent Science News June 18, 2019
  • 11 Impossible Foods 2019 Impact Report
  • 12 Quantis, Carbon Footprint Evaluation of Regenerative Grazing at White Oak Pastures, February 25, 2019 17 Civil Eats June 19, 2019
  • 13 Environmental Science and Technology 2015 Oct 6;49(19):11941-9

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