Opinião

O futuro será sempre escrito

João Guerreiro, militante da Juventude Popular

Há quase nove séculos, D. Afonso Henriques tomava posse do Castelo de Palmela, vindo a reconquistar a localidade apenas dezoito anos mais tarde. Por cá passaram figuras históricas, como D. Nuno Álvares Pereira ou D. João I.

O castelo seria usado como forma de comunicação entre o Condestável e o futuro rei de Portugal, quando o país era apertado pelo cerco de Lisboa. Para estas personalidades históricas, a importância de um futuro sólido era imensurável.

Portugal estava nas vésperas de uma das maiores épocas de crescimento à data, por isso o futuro da pátria escrevia-se ao rubro dos ventos das naus. A passividade não era opção.

Nestes tempos, Palmela tinha uma importância tanto estratégica, em termos militares, devido à proximidade com Lisboa, como também devido a razões político-religiosas. Era nesta vila que se localizava a sede da Ordem de Santiago de Espada.

Com o tempo, Palmela perdeu a importância de que tanto se prezava, sendo inclusivamente, durante um espaço temporal, incluída no concelho de Setúbal, recuperando a autonomia mais tarde.

Contudo, a História mostra que Palmela já foi um centro relevante, e isso importa quando pensamos no futuro.

Hoje, na Península de Setúbal, segundo dados do PORDATA de 2023, Palmela está constantemente entre os cinco concelhos com maior população nas faixas etárias dos 15 aos 29 anos. Aliás, a massa dos jovens dos 15 aos 19 anos foi das que mais cresceu, em termos percentuais, face a 2001.

Simultaneamente, entre 2001 e 2023, o concelho quase duplicou o número de pessoas entre os 75 e os 79 anos e cresceu acima da média regional em quase todas as faixas etárias mais velhas. Quando estas duas pressões estão conjugadas, coloca-se um desafio: responder às necessidades de uma população jovem e, ao mesmo tempo, acompanhar o envelhecimento acelerado.

Quando estas condicionantes não têm resposta governativa consolidada, o custo de oportunidade para os jovens e para todos os residentes aumenta a cada “não-decisão”.

Estes fatores possibilitam uma ameaça à estabilidade social e, consequentemente, regional. Por este motivo, as decisões locais devem sobreviver a estas tendências, antecipando o futuro e pensando, não só, no presente.

Para tal, é essencial que a juventude tenha um lugar à mesa. Os jovens são a voz que Palmela e, naturalmente, Portugal precisam.

Eles são a força do futuro para a região, com novas ideias, com novas competências e com uma vantagem tecnológica face a outras gerações que pode impulsionar a vida nas regiões do país, que muitas vezes são descartadas.

Quando os jovens não participam, ou não têm os mecanismos para participar, todos perdemos.

De uma jovem, para toda a população: nós necessitamos de confiança. Quando existir confiança entre gerações, entre instituições e entre pessoas, todos, mas todos, vão beneficiar!

Desta problemática partimos para uma solução: uma juventude focada em valores, como a liberdade, focada no indivíduo como um todo, que simultaneamente apoia as instituições no seu crescimento ao longo do tempo e que defenda um mínimo ético em que a pátria, a família, a propriedade e a religião são prioridades a defender, tendo consciência histórica daquilo que é o passado da região, inferindo-se, a partir daí, o seu futuro.

Para além disto, quando uma iniciativa individual – como uma juventude a trabalhar para a estabilidade, liberdade e futuro da sua terra – é aliada aos alicerces corretos do Estado, os resultados serão, certamente, positivos.

Por fim, considere-se que, quando um projeto destes é norteado por uma visão humanista, com a perceção de que as pessoas para as quais trabalhamos, especificamente as pessoas do concelho de Palmela, não são um meio para o nosso bem individual, mas sim um fim para o bem comum de todos, terá, no seu íntimo, um “norte” sólido. Este é o projeto da Juventude Popular – a juventude que mais cresceu em 2025.

A força vital de uma terra são as suas pessoas. É a sua comunidade. E quando essa comunidade, especialmente a jovem, é, de alguma forma, esquecida, há que redirecionar o movimento das coisas, pois, de uma maneira ou outra, o futuro será sempre escrito. O que resta saber é quem o escreve.


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