Opinião

O dilema da saúde do nosso tempo | Parte 2 – Uma Saúde Resiliente e Soberana

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

As regras de mercado também se aplicam à indústria farmacêutica e na continuidade do do artigo da semana passada (1) a técnica vacinal mRNA é mais fácil e rápida de produzir pelo que mais vantajosa comercialmente. Todavia por apresentar os riscos para a saúde, ali mencionados, e não estar concluída a investigação da eficácia tampouco da segurança, tornou-se premente a “autorização para uso em emergência”. Esta, aliada à propaganda de coação (política e mediática) foi crucial para que os fabricantes das vacinas contra a Covid19, vissem dispensada a aprovação podendo massificar a distribuição, reforçada pela isenção de responsabilidade.

Por isso devemos preocupar-nos porque esta deriva política e mercantilista na saúde pública não só está hipotecar a bioética, o bem-fazer e o direito ao consentimento informado, como nos cria um dilema que urge ultrapassar.

Sabe-se que é condição sinequanon para a eficácia de qualquer vacina que o sistema imunitário esteja a funcionar adequadamente. Também se sabe que a imunidade está comprometida nos indivíduos com doença crónica como a diabetes mellitus ou a obesidade mórbida e que, as células imunes, para funcionarem devidamente precisam de certas vitaminas e minerais. Portanto na ausência dum estado geral e de nutrição equilibrado, a imunidade inata está comprometida. Até os antibióticos podem ser menos eficazes se o sistema imunitário não estiver a funcionar devidamente. É a deterioração da imunidade a razão pela qual um agente infeccioso benigno pode matar um idoso frágil, um diabético ou um obeso, principalmente se sedentário, se institucionalizado, se não apanhar sol ou se fizer uma dieta rica em hidratos de carbono refinados e alimentos ultraprocessados.

A chave para prevenir e combater as doenças infecciosas sempre foi a resiliência imunitária. E a forma como se promove ou restringe essa resiliência influencia a necessidade, os benefícios e os riscos das intervenções profiláticas e terapêuticas – foi este o conceito que sustentou a ortodoxia da saúde pública pré-2020.

Obviamente que a resiliência em saúde não se constrói ingerindo ou injectando uma miríade de químicos que destroem a eficiência metabólica e a complexa comunidade endógena de microrganismos que habitam em nós. Antes depende de como vivemos, bebemos e nos alimentamos por forma a manter, ou não, a nossa imunidade alerta e responsiva. O problema é que criar resiliência contra a infecção é simples, barato e, por conseguinte, pouco rentável. Criar saúde é menos rentável que tratar doenças, na mesma proporção que é menos rentável empoderar as populações com conhecimento, responsabilidade e capacidade financeira, quando comparado com o seu empobrecimento e dependência. Senão vejamos:

Embora o saber de experiência feito e a prova científica, logo no início do surto de Covid19, tivessem associado a mortalidade a níveis baixos ou deficitários em Vitamina D, persistiu a extrema relutância em administrar vitamina D3 profilaticamente à população em geral e aos grupos de risco em particular. Foi pena pois conforme o artigo publicado na revista Nature em 2023 (2) até um terço das mortes poderia ter sido evitado se uma medida tão básica, segura, barata e ortodoxa como a suplementação com vitamina D3 tivesse sido implementada.

Fomos bombardeados ad nauseam com a mortalidade total por Covid mas estranhamente, ou talvez não, nunca ouvimos falar de mortalidade por déficit de vitamina D ou por síndrome metabólica que, provavelmente, foram as principais causas de morte na crise sanitária.

Pelo exposto , como podemos preparar-nos para futuras pandemias? Duas estratégias estão sob a mesa.

A ESTRATÉGIA A VIGILÂNCIA – LOCKDOWN – VACINA: a via em voga após 2020 consistindo na detecção precoce de surtos ou de potenciais surtos e depois confinar e isolar, enquanto se produz uma vacina. O problema desta estratégia reside:

  1. Na quase inviabilidade da detecção dos surtos naturais de vírus transmitidos pelo ar com a antecedência necessária e suficiente para evitar a sua disseminação mesmo com vigilância apertada – a Terra é extensa e habitada por quase oito mil milhões de pessoas…
  2. Na impossibilidade de testar exaustivamente uma hipotética vacina no que concerne a efeitos secundários. a médio e longo prazo
  3. Na inevitabilidade dos danos económicos consequentes aos “lockdowns” afectando principal e desproporcionalmente pessoas de menores recursos.
  4. No fatal compromisso da imunidade da população em geral tornando-a mais vulnerável à morte efectiva porque, entre outros factores, sujeita a menor exposição solar (menor produção de vitamina D) e porque de uma maneira geral as pessoas, quando confinadas, engordam (3).
  5. E ainda no facto de ser muito dispendiosa. A OMS e o Banco Mundial estimam cerca de  31 mil milhões de dólares por surto, excluindo o aumento real dos custos com dispositivos médicos (testes, máscaras, etc) e com produção de vacinas. Isto representa quase dez vezes mais que o orçamento actual da OMS.

A ESTRATÉGIA B – RESILIÊNCIA IMUNITÁRIA: melhor para a saúde individual e comunitária e mais vantajosa para as economias em geral todavia negativa, em termos financeiros, para as empresas farmacêuticas e seus investidores

Assim, deixando a ética de lado, a escolha lógica para aqueles que conduzem a actual agenda de preparação para as pandemias foi e ainda  parece ser a Estratégia A.

A OMS, as grandes parcerias publico-privadas (P/ex. GAVI, CEPI), as agências reguladoras da saúde, as instituições de investigação e até as sociedades médicas dependem do financiamento da indústria e dos investidores farmacêuticos que não são suicidas pelo que, obviamente, jamais promoverão uma estratégia sanitária que, não só minimiza as vendas de dispositivos médicos, de medicamentos e de vacinas mas também compromete o lucro decorrente da parafernália farmacológica consumida pelos doentes crónicos.

Tempos houve que o ímpeto da saúde pública mundial se centrava na resiliência e na promoção da Estratégia B. A OMS foi criada nessa senda. Hoje em dia a balança pende claramente em benefício dos financiadores privados. A prioridade de acrescentar mais saúde e esperança à Vida está subsumida pela prioridade do lucro.

Estamos portanto numa encruzilhada e temos que decidir se os cuidados de saúde devem ser direcionados para o bem estar físico, mental e social ou se devem prosseguir o bem-estar financeiro de alguns em detrimento da saúde da maioria.

Os sistemas feudais e colonialistas podem ser bastante estáveis e a tecnologia moderna poderá torná-los ainda mais estáveis. No entanto se considerarmos as ideias de igualdade, a sanidade de todos e a soberania individual, existe um caminho muito mais barato, universal nos benefícios e eticamente elevado embora difícil de implementar.

Um grau sensato de vigilância poderá fazer sentido mas alocar milhões de euros para esse esforço ao mesmo tempo que se desinveste na educação para a saúde, na qualidade alimentar e na suplementação, comprova que a saúde e o bem-estar da população mundial há muito que deixou de ser o propósito da OMS.

Eis-nos perante o grande dilema: queremos tomar as receitas do nosso destino e viver mais tempo, com mais igualdade, mais prosperidade e mais saúde ou preferimos entregar as decisões sobre a nossa vida e o nosso corpo a homens de negócios e a instituições supranacionais não eleitas?

Para além de se fazer mandatório desvelar e impor limites aos conflitos de interesse, temos, principalmente, que decidir se queremos integrar uma sociedade livre, soberana, responsável e igualitária ou se o feudalismo social, o colonialismo sanitário e o fascismo internacional, ensaiados na recente trama sanitária, vieram para ficar, constituindo o modelo que desejamos para o Futuro –  o nosso e o da nossa descendência.

Referências:

1 – https://diariodistrito.sapo.pt/o-dilema-da-saude-do-nosso-tempo/

2 – https://www.nature.com/articles/s41598-022-24053-4

3 – https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2783690


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