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O dia em que os automóveis passaram a ter matrícula

A 14 de agosto de 1893, França tornou-se o primeiro país a introduzir um sistema obrigatório de identificação para veículos motorizados. A medida, pioneira à escala mundial, esteve na origem das atuais matrículas utilizadas em milhões de automóveis.

Muito antes dos sistemas digitais de registo automóvel e das bases de dados modernas, foi em França que surgiu uma das maiores revoluções na organização do trânsito: a matrícula automóvel.

No dia 14 de agosto de 1893, uma portaria da Polícia de Paris tornou obrigatória a identificação dos veículos motorizados através de uma placa metálica que incluía o nome e morada do proprietário, bem como um número distintivo de registo. A decisão transformou França no primeiro país do mundo a implementar um sistema de matrícula para automóveis.

A medida surgiu numa época em que os automóveis ainda eram uma novidade tecnológica, mas começavam a circular com maior frequência nas ruas da capital francesa. As autoridades procuravam encontrar formas de identificar os veículos e os seus condutores, reforçando a segurança pública e o cumprimento das regras de circulação.

A mesma regulamentação é também apontada como uma das primeiras tentativas de criar um sistema de licenciamento de condutores, exigindo que os automobilistas demonstrassem capacidade para operar os veículos.

O modelo francês viria rapidamente a ser seguido por outros países europeus. Em poucos anos, os sistemas de matrícula tornaram-se uma prática comum em todo o mundo, permitindo identificar veículos, combater crimes e facilitar a gestão do tráfego rodoviário.

Passados 133 anos, as matrículas continuam a ser um elemento fundamental da mobilidade moderna, mas a sua origem remonta a uma simples decisão administrativa tomada em Paris no final do século XIX.

A 3 de outubro de 1901, Portugal adota a mesma medida com a criação da licença de circulação e obrigatoriedade de chapa traseira com o nome do distrito e número (ex. Lisboa 123).

Em 1911 passa a dividir o país em três zonas com as letras N (Norte), C (Centro) e S (Sul) seguidas de números.

Em 1937 entra em vigor do sistema de seis caracteres em três pares separados por traços (AA-00-00), base das matrículas clássicas em fundo preto.

Nos anos 1980, foi abandonado o sistema de séries associadas a zonas de matriculação, passando a existir uma sequência nacional.

Em 1992, a tradicional série AA-00-00 foi substituída por 00-00-AA, coincidindo com a introdução das chapas brancas refletoras e da faixa azul europeia com a letra identificativa de Portugal.

Mais tarde, em 1998, as matrículas passaram a incluir uma faixa amarela com o mês e o ano da primeira matrícula.

Em 2005 entrou em vigor a sequência 00-AA-00 e, a 15 de janeiro de 2020, Portugal adotou o modelo atualmente em uso, AA-00-AA, eliminando também a faixa amarela que indicava a data de matrícula do veículo.

As sucessivas alterações permitiram aumentar o número de combinações disponíveis e adaptar o sistema português às normas europeias de identificação automóvel.


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