Opinião

O descrédito da luta climática: de Cordeiro a Montenegro

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

No dia 28 de fevereiro de 2024, Luís Montenegro, presidente do Partido Social Democrata (PSD) e candidato a Primeiro-ministro, foi atacado por um ativista climático, com tinta verde, quando se preparava para entrar na Bolsa de Turismo de Lisboa. Uma situação semelhante ocorreu com Duarte Cordeiro, Ministro do Ambiente, na abertura de uma conferência sobre as metas e as políticas públicas para a transição energética.

Em 2023, ativistas de mais de 50 países, juntaram-se para manifestar e apelar ao fim dos combustíveis fósseis, querendo que esta luta seja considerada pelos líderes mundiais. No entanto, nem todas as lutas resultaram em situações positivas, existindo em alguns casos situações de violência e de desobediência por parte dos manifestantes. A questão que se coloca é se este tipo de protesto, muitas vezes encabeçado por jovens, não poderá estar a trazer descrédito para uma luta deveras relevante.

É de fácil compreensão a revolta que estes ativistas têm. Como é possível um estado pedir, por exemplo, à sua população que use palhinhas de papel, reforçando a necessidade de reduzir o plástico produzido, quando compactua com empresas e setores que poluem constantemente os oceanos e a atmosfera? No entanto, acabo por ter dificuldade de compreender quando certos ativistas escolhem a violência e desculpam esses mesmos atos com a luta climática. Tenho dificuldade de compreender que pessoas intituladas de ativistas furem pneus de automóveis em “prol das lutas climáticas”. Mas será que a solução para todas estas lutas passa por furar os pneus do vizinho, atrapalhando a sua vida? Será que a solução é mandar tinta para a cara de um político, como forma de “vingança” para com os grandes lobbies de combustíveis fósseis? Ou será que a solução passa por fazer um cordão humano numa autoestrada, impossibilitando qualquer tipo de veículo, incluindo veículos de emergência, de passar para o seu destino?

Existe uma frase, que ultimamente tem surgido muito neste tipo de protestos, que diz o seguinte: “A tua liberdade acaba onde a minha começa”, o que acaba por ser um pouco irónico. Irónico, porque, pelo que temos presenciado nos media, muitos destes ditos ativistas são os primeiros a violar a liberdade dos outros, impondo as suas próprias convicções.

Gostaria de terminar com uma reflexão: a luta climática é uma prioridade e tem de ser respeitada, no entanto, tudo na vida necessita de “dois pesos e duas medidas”, pois quando começamos a roçar o extremismo é quando as nossas lutas mais perdem valor.


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