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Novo dispositivo de combate a incêndios para Alentejo Litoral

Odemira acolhe a apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios para o Alentejo Litoral.

O território que vai de Troia até ao Sudoeste Alentejano, passando por Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira, tem uma particularidade que nenhum plano consegue ignorar: 70 por cento da sua área é floresta e as estradas que a atravessam raramente permitem chegar a tempo. É precisamente esse desafio que o novo DECIR tenta enfrentar, com mais meios, mais formação e — pela primeira vez com clareza assumida — com a consciência de que ainda não é suficiente.

A apresentação do dispositivo reuniu bombeiros de dez corporações da sub-região, de Alcácer do Sal a Vila Nova de Milfontes, passando por Grândola, Cercal do Alentejo, Odemira, Santiago do Cacém, Santo André, Sines, Torrão e Alvalade. As Escolas de Infantes e Cadetes de Odemira, Sines e Alvalade fizeram formatura conjunta — um sinal do espírito de unidade que se quer ver refletido nas operações.

As fases do dispositivo falam por si. Entre 15 e 31 de maio, o DECIR opera com 156 operacionais e 36 viaturas. Em junho, na fase Charlie, o número sobe para 204 operacionais e 46 veículos. Mas é entre 1 de julho e 30 de setembro — a temida fase Delta — que o dispositivo atinge a sua maior expressão: 216 operacionais e 49 veículos, incluindo 35 viaturas e 180 elementos afetos a equipas de combate, mais 14 veículos e 36 operacionais integrados em meios de apoio. 

O coração do dispositivo é composto por Equipas de Intervenção Permanente, Equipas de Combate a Incêndios, Equipas Logísticas de Apoio ao Combate, Sapadores Florestais e elementos da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR — uma estrutura que combina rapidez, sustentação logística e músculo operacional.

A grande novidade desta época é o regresso do helicóptero. O meio aéreo ficará sediado no Centro de Meios Aéreos de Grândola a partir de 1 de julho, com a missão de garantir o ataque inicial a todos os incêndios nascentes. A este juntam-se outros meios aéreos posicionados em Ourique e Monchique, cobrindo ângulos que os meios terrestres, pela simples questão geográfica, não conseguem alcançar a tempo. 

O responsável pela sub-região, Tiago Bugio, foi direto: os meios são semelhantes aos do ano passado e seriam precisos mais. O comandante sub-regional reconheceu que a dimensão da sub-região e a necessidade de garantir um ataque inicial musculado exigiriam recursos adicionais. Uma confissão honesta que, por si só, diz muito sobre os limites do sistema e a pressão que recai sobre quem combate o fogo neste território.

O historial recente ajuda a perceber a dimensão do problema. Em 2024, foram registados 144 incêndios rurais na sub-região, com a maioria a concentrar-se no mês de julho. O concelho de Alcácer do Sal registou a maior área ardida, com 141 hectares, enquanto Odemira foi palco do maior incêndio, com 36 hectares consumidos.

A sub-região do Alentejo Litoral abrange os municípios de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines, no distrito de Setúbal, e Odemira, no distrito de Beja — um território com 531 mil hectares e cerca de 100 mil habitantes, onde a distância entre aldeias e a densidade florestal tornam cada minuto do ataque inicial decisivo.

O dispositivo está em marcha. O verão está a chegar. E o fogo, como sempre, não avisa.


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