Combustíveis podem disparar a partir de segunda-feira
Os preços dos combustíveis podem sofrer uma nova e acentuada subida a partir de segunda-feira, dia 7 de setembro, com o gasóleo simples a poder encarecer cerca de 15 cêntimos por litro e a gasolina 95 até 12 cêntimos, de acordo com as estimativas divulgadas esta sexta-feira. No entanto, os valores ainda podem sofrer alterações antes da atualização dos preços nos postos de abastecimento.
As previsões do Automóvel Club de Portugal (ACP) apontam, portanto, para uma subida de 15 cêntimos por litro no gasóleo e de 12 cêntimos na gasolina. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), por outro lado, estima um aumento de cerca de 15 cêntimos no gasóleo e de 10 cêntimos na gasolina.
Isto significa que, por exemplo, um abastecimento de 50 litros poderá representar um acréscimo de cerca de 7,50 euros no caso do gasóleo e entre 5 e 6 euros no caso da gasolina, face aos preços atuais, caso as previsões se confirmem.
Gasóleo pode aproximar-se novamente dos máximos
A dimensão da subida prevista coloca novamente os preços do gasóleo sob forte pressão. A DGEG registava, a 1 de setembro, um preço médio de 2,022 euros por litro para o gasóleo simples no continente.
Com um aumento de 15 cêntimos, o preço médio aproximar-se-ia dos 2,17 euros por litro, embora o valor efetivamente praticado possa variar significativamente entre postos, uma vez que as empresas definem livremente os seus preços.
No caso de um depósito de 50 litros, um preço na ordem dos 2,17 euros por litro significaria um abastecimento superior a 108 euros, antes de considerar eventuais descontos comerciais.
Tensão no Médio Oriente volta a pressionar o petróleo
Ademais, a nova escalada está relacionada com a forte valorização das matérias-primas nos mercados internacionais. A tensão no Médio Oriente e os riscos associados ao tráfego no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar as cotações do petróleo.
O Brent, referência para o mercado europeu, terminou a sessão de quinta-feira nos 95,52 dólares por barril, depois de ter atingido durante a sessão um máximo de seis semanas. A evolução dos preços reflete, entre outros fatores, os receios de perturbações no fornecimento de energia provocadas pelo agravamento das tensões na região.
O Estreito de Ormuz assume particular importância para os mercados energéticos internacionais, pelo volume de petróleo e gás que atravessa diariamente aquela rota marítima.
Governo pode voltar a mexer no ISP
A evolução final dos preços em Portugal poderá ainda depender de uma eventual intervenção do Governo através do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP).
O executivo tem aplicado um mecanismo extraordinário de redução do ISP perante aumentos significativos dos preços dos combustíveis, com o objetivo de devolver aos consumidores parte da receita adicional de IVA resultante da subida dos preços. A legislação em vigor prevê essa intervenção quando o aumento ultrapassa determinado limiar face aos valores de referência definidos para março.
Até ao momento, contudo, as previsões divulgadas para a próxima semana não permitem afirmar a 100% qual será o preço final nos postos, uma vez que ainda podem ocorrer alterações nas cotações internacionais e nas medidas fiscais aplicáveis.
Aumento ainda não está fechado
Recordamos que os valores avançados pelo ACP e pela ANAREC constituem estimativas e não preços finais. A cotação do petróleo e dos produtos refinados pode continuar a variar até ao momento em que as gasolineiras atualizem os seus preços.
Também podem existir diferenças entre postos de abastecimento, devido à política comercial de cada operador, aos descontos e às campanhas em vigor.
Se as previsões mais elevadas do ACP se confirmarem, a subida prevista para a gasolina será uma das mais expressivas dos últimos anos. No gasóleo, um aumento de 15 cêntimos por litro representará igualmente um forte impacto para famílias, empresas e profissionais que dependem diariamente da utilização de veículos.
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