Nova espécie de planta “nasce” em Almada e não existe em mais lado nenhum do mundo
A descoberta, liderada pelo botânico João Farminhão (Universidade de Coimbra), aponta para uma espécie com apenas algumas dezenas de exemplares conhecidos, já considerada “criticamente em perigo” e a necessitar de medidas urgentes de proteção.
Uma planta até agora desconhecida para a ciência foi identificada nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada, e recebeu o nome Linaria almadensis, numa homenagem direta ao concelho onde ocorre. A espécie foi formalmente descrita pelo botânico João Farminhão, investigador ligado à Universidade de Coimbra, num artigo publicado na revista científica Botany Letters.
A descoberta coloca Almada no mapa da biodiversidade europeia por um motivo raro: trata-se de um endemismo extremo, conhecido apenas num troço muito limitado de escarpas voltadas ao estuário do Tejo, em frente a Lisboa — e, até ao momento, sem registos fora deste território.
Segundo a informação divulgada, a espécie foi encontrada em habitat muito específico, paredões e terraços arenosos junto a rochas calcárias nas arribas da margem sul do Tejo, e terá sido historicamente confundida com outras linárias, só agora reconhecida como distinta após revisão de herbários e trabalho de campo.
Um dos dados que mais preocupa os investigadores é a dimensão da população conhecida: apenas 34 exemplares terão sido contabilizados até agora, levando a uma avaliação preliminar de “Criticamente em Perigo”, o patamar imediatamente anterior à extinção.
Entre as principais ameaças apontadas estão a artificialização de partes das arribas (com intervenções associadas a infraestruturas) e a pressão de espécies invasoras, como capuchinhas/chagas (Tropaeolum majus), canas (Arundo donax) e azedas (Oxalis pes-caprae), que competem pelo pouco espaço disponível neste ecossistema frágil.
O investigador sublinha ainda que o tipo de habitat onde a planta ocorre é considerado prioritário na legislação europeia (Diretiva Habitats), defendendo a criação de medidas locais de conservação para proteger uma área que, apesar de estar “à porta” de uma capital europeia, continua pouco estudada do ponto de vista botânico.
De acordo com informação divulgada por fontes que citam nota da Universidade de Coimbra, o holótipo (exemplar de referência) está depositado no Herbário da Universidade de Coimbra, e a ocorrência conhecida situa-se na frente ribeirinha e escarpas do Gargalo do Tejo, com referência à zona do Cristo Rei e à margem oposta em Lisboa.
A Linaria almadensis já surge referenciada em plataformas de ciência cidadã e inventário da flora, como o Flora-On, reforçando a relevância do património natural das arribas de Almada, um território onde a paisagem é muito visível, mas onde a biodiversidade ainda pode reservar descobertas inesperadas.
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