NOS Alive: Buraka Som Sistema assinam o fecho histórico que Lisboa esperava
O último concerto do NOS Alive 2026 não foi apenas um espetáculo. Foi o reencontro de milhares de pessoas com uma das bandas mais marcantes da música portuguesa. Durante cerca de hora e meia, os Buraka Som Sistema provaram que o tempo passou, mas a capacidade de pôr uma multidão inteira a dançar continua exatamente a mesma.
Há concertos que encerram festivais e há concertos que acabam por definir uma edição inteira. O regresso dos Buraka Som Sistema ao palco principal do NOS Alive pertence claramente à segunda categoria.
Quando as luzes se apagaram no Passeio Marítimo de Algés, já se sentia que a expectativa era diferente da habitual. Não era apenas mais um cabeça de cartaz. Era o regresso de um grupo que mudou a música eletrónica feita em Portugal e que, durante anos, levou o nome de Lisboa aos maiores festivais do mundo.
A resposta chegou logo nos primeiros minutos. Assim que os primeiros temas começaram a ecoar pelo recinto, dezenas de milhares de pessoas deixaram de assistir ao concerto para fazer parte dele. Não havia praticamente ninguém parado.
Kalaf, Branko, Riot, Conductor, Blaya e Andro Carvalho apareceram em palco com a mesma irreverência que marcou o percurso da banda. Entre batidas eletrónicas, kuduro, afro-house e uma energia quase impossível de acompanhar, foram conduzindo um espetáculo onde a dança acabou por ser a única linguagem comum entre portugueses e estrangeiros.
Ao longo da atuação, sucederam-se alguns dos temas que ajudaram a definir uma geração. “Hangover”, “(We Stay) Up All Night”, “Sound of Kuduro”, “Kalemba (Wegue Wegue)” ou “Zouk Flute” voltaram a soar como autênticos hinos, recebidos por um coro praticamente permanente vindo da plateia.
Mas o concerto viveu também de momentos inesperados. A entrada de Petty, uma das vozes históricas do grupo, foi recebida com enorme entusiasmo, enquanto a presença da brasileira Deize Tigrona reforçou a ligação entre os Buraka e as raízes do movimento que sempre inspirou a banda.
Um dos momentos mais emocionantes aconteceu durante “Voodoo Love”, quando milhares de telemóveis iluminaram o recinto numa homenagem a Sara Tavares, cuja voz permanece ligada a um dos temas mais marcantes do grupo.
Já perto do final, o humor também teve espaço. Antes de “Kalemba (Wegue Wegue)”, os ecrãs gigantes exibiram uma participação de Ricardo Araújo Pereira, surpreendendo o público e preparando o terreno para aquele que continua a ser um dos maiores clássicos da música portuguesa deste século. Bastaram poucos segundos para transformar Algés numa gigantesca pista de dança.
Durante toda a atuação, Blaya voltou a assumir um papel central, com a presença em palco e a interação constante com o público que fizeram dela uma das figuras mais acarinhadas da noite. Kalaf, por sua vez, foi alimentando a ligação com a plateia, num concerto onde a comunicação foi quase tão importante como as próprias músicas.
O espetáculo terminou ao som de “Zouk Flute”, fechando não apenas o concerto, mas também a 18.ª edição do NOS Alive.
Se havia dúvidas sobre o impacto que os Buraka Som Sistema continuam a ter junto do público, ficaram dissipadas em pouco mais de uma hora e meia. O grupo regressou aos palcos sem perder identidade e mostrou que continua a existir espaço para celebrar uma das maiores histórias da música portuguesa contemporânea. Afinal, há músicas que não envelhecem e há festas que Lisboa simplesmente nunca esquece.
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