Nemátodo do pinheiro: A ameaça silenciosa que há 25 anos destrói florestas em Portugal
Um verme microscópico, conhecido como nemátodo do pinheiro, continua a devastar as florestas portuguesas, colocando em risco o equilíbrio ecológico e económico do país.
O nemátodo do pinheiro, um verme microscópico identificado cientificamente como ‘Bursaphelenchus xylophilus’, entrou em Portugal em 1999, sendo inicialmente detetado na península de Setúbal e, posteriormente, noutras regiões como a Serra da Lousã. Este organismo, transportado pelo inseto vetor longicórnio-do-pinheiro (‘Monochamus galloprovinciallis’), é o causador da devastadora doença-da-murchidão-do-pinheiro, que afeta gravemente o pinheiro-bravo (‘Pinus pinaster’) e outras espécies de resinosas.
Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), esta praga representa uma das maiores ameaças para os povoamentos de pinheiro em Portugal, com impactos ecológicos, económicos e sociais de elevada gravidade. A União Europeia classifica o nemátodo como um organismo de quarentena, impondo severas restrições à circulação de plantas, madeira e subprodutos provenientes de espécies hospedeiras.
Para combater a propagação desta praga, a Comissão Europeia adotou um conjunto de normas rigorosas, a primeira das quais data de 2000. Atualmente, as medidas mais relevantes encontram-se no âmbito da decisão de execução n.º 2012/535/UE e em regulamentos nacionais como o decreto-lei n.º 95/2011, alterado em 2015. Estes normativos incluem ações como o controlo do inseto vetor e a monitorização de áreas afetadas.
O nemátodo, acredita-se, terá origem na América do Norte, estando amplamente distribuído no Canadá e nos Estados Unidos, onde afeta florestas de coníferas. Apesar das ações de controlo em vigor, 25 anos após a sua chegada a Portugal, esta ameaça persiste, exigindo vigilância constante e a implementação de medidas preventivas mais eficazes para proteger as florestas nacionais.
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