Opinião

Não, Não Pode. Nem nas relações íntimas

Há muito que defendo que não podemos dizer tudo. Digo-o, sobretudo, no papel de terapeuta de casal, perante a falácia de que a intimidade e o, suposto, amor permite dizer tudo o que se pensa e sente.

Discordo. A liberdade de expressão parece ter sido transformada em uma arma extraordinária de mau-trato, por vezes com requinte e manipulação, outras de forma direta e seca, tipo estalada.

Não, não posso dizer tudo. Não posso dizer tudo, sempre que tal signifique que vou atropelar o outro com a minha, suposta, verdade.

Não, não posso dizer tudo. Não posso dizer tudo, sempre que daí não venha nenhum bem a não ser, quiçá, um expiar da minha culpa.

Não, não posso dizer tudo. Não posso dizer tudo, sempre que tal resulte em um insulto, uma ofensa ou diminuição do outro.

A verdade apaixona sempre que rima com respeito, tolerância e bem-querer. Nunca como arma de dominação ou subjugação do outro.

As relações íntimas devem constituir um espaço seguro, de crescimento individual e do Nós. Nunca um espaço de medo, de violação da privacidade e de posse.

A palavra deve ser usada para construir e não para destruir o outro.

Não, não pode. Não pode nunca. Nem por, suposto, amor.


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