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Munições sem rasto em esquadra da PSP alarmam Justiça

Um agente da PSP acusado de crimes graves contra detidos foi encontrado com munições não oficiais, impossíveis de rastrear, levantando sérias suspeitas no inquérito do Ministério Público.

A investigação a alegados crimes de tortura, sequestro e abuso de poder em esquadras de Lisboa ganhou um novo e inquietante contorno com a apreensão de munições irregulares na posse de um agente da PSP. Segundo a acusação do Ministério Público, as munições não pertenciam aos lotes distribuídos pela instituição, inviabilizando qualquer rastreio balístico.

O agente em causa, Guilherme Leme, colocado na esquadra do Rato, tinha 12 munições de calibre 9 mm, compatíveis com a pistola Glock de serviço, mas externas ao circuito oficial da PSP. As munições foram apreendidas durante buscas realizadas a 10 de julho de 2025, no âmbito do inquérito que envolve 13 detidos.

Fontes policiais indicam que este tipo de munição, comum no mercado civil, não permite associar disparos à arma ou à instituição, caso fosse utilizada em crimes com armas de fogo. Um dado que, para a acusação, levanta suspeitas de premeditação, uma vez que os invólucros recolhidos não possibilitariam identificar a sua origem institucional.

A gravidade do caso é reforçada pelo facto de as munições estarem inseridas num carregador operacional, prontas a uso imediato, misturadas com munições não fornecidas pela polícia. Na residência do agente foram ainda encontradas mais 37 munições idênticas.

O Ministério Público sublinha que os agentes da PSP só estão autorizados a utilizar munições distribuídas pela própria força, precisamente por estas apresentarem características técnicas que permitem o seu rastreio. As munições apreendidas apresentavam uma coloração diferente na base e nenhuma marcação de segurança.

No mesmo processo, o segundo agente acusado, Óscar Borges, foi encontrado com uma arma elétrica taser de 200 mil volts guardada no cacifo da esquadra, sem licença ou autorização, apesar de exercer funções policiais.

Segundo a acusação, os dois agentes terão agredido e mantido ilegalmente detidos vários cidadãos, recorrendo a bastões e armas de serviço. Alguns dos atos terão sido filmados com telemóveis e partilhados em grupos de WhatsApp, tendo os dispositivos sido, entretanto, apreendidos.

Guilherme Leme está acusado de abuso de poder, tortura, coação, violação das regras de atuação policial, falsificação e posse de arma proibida. A investigação prossegue para apurar o eventual envolvimento de outros elementos da PSP que terão assistido aos factos.


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