Mulher desviou 188 mil euros e enganou dezenas com esquemas tecnológicos: A rede de crimes que chocou Portugal
Uma mulher é acusada de liderar um esquema fraudulento que desviou 188 mil euros de contas bancárias, utilizando dados pessoais e manipulação tecnológica, prejudicando dezenas de vítimas.
Uma mulher foi acusada pelo Ministério Público (MP) de liderar um esquema criminoso que envolveu o roubo de dados pessoais para aceder a contas bancárias e realizar transferências fraudulentas e compras. A investigação revelou que a arguida, descrita como a “mentora” da operação, terá desviado 188 mil euros, prejudicando 87 vítimas, incluindo operadoras de telecomunicações e instituições bancárias.
A rede criminosa não operava sozinha. Segundo a acusação, a principal suspeita contou com a ajuda de sete cúmplices, incluindo familiares, amigos e até um funcionário de uma operadora de telecomunicações, que fornecia dados sigilosos. Este funcionário enfrenta acusações de desvio de dados agravado e violação de dever de sigilo.
O esquema sofisticado usava tecnologia e manipulação de dados pessoais. A arguida, com ou sem auxílio, obteve informações confidenciais de bases de dados de operadoras e bancos. De posse dessas informações, acedia ilegalmente às contas das vítimas mediante serviços de homebanking. Além disso, utilizava cartões SIM clonados e outros dispositivos de pagamento para receber códigos de acesso e realizar transações fraudulentas.
Um dos métodos mais usados envolvia a manipulação de cartões multibanco. A arguida solicitava segundas vias de cartões pertencentes a outras pessoas, desativava os originais e criava clones. Com os novos cartões, alterava as palavras-passe de contas bancárias, permitindo-lhe movimentar fundos para as suas contas ou realizar compras. O MP afirma que, para além das fraudes financeiras, a suspeita também obteve dados de clientes de operadoras de telecomunicações como a MEO e procurou potenciais alvos mediante bases de dados públicas.
A atividade criminosa incluiu a falsificação de documentos e contrafação de cartões, entre outros delitos. No total, a arguida enfrenta acusações de 56 crimes de burla qualificada, 57 de acesso ilegítimo, 57 de falsidade informática, além de outros relacionados com furto qualificado, branqueamento de capitais e violação de correspondência.
Além do impacto financeiro nas vítimas, que incluem grandes entidades bancárias e operadores como Wizink, Universo e Unibanco, o MP pediu que os 188 mil euros obtidos ilicitamente sejam revertidos a favor do Estado. Este caso expõe uma falha preocupante nos sistemas de segurança de dados e destaca a importância de medidas rigorosas para proteger informações pessoais.
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