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Morreu Ercília Talhadas, voz histórica da Moita

Ercília Carreira Pimenta Talhadas morreu este sábado, 28 de março, aos 79 anos. Antiga deputada do PCP e figura ligada ao movimento sindical e à oposição ao regime antes do 25 de Abril, deixa um percurso político, cívico e sindical marcado no distrito de Setúbal.

Morreu este sábado, 28 de março, Ercília Carreira Pimenta Talhadas, antiga deputada do PCP, aos 79 anos, segundo informou o Secretariado da Direção da Organização Regional de Setúbal do partido.

Natural da Moita, Ercília Talhadas tinha um percurso político e cívico com várias décadas, marcado pela intervenção sindical, pela militância comunista e pela participação em estruturas de oposição ainda antes da Revolução de Abril. Era membro do PCP desde junho de 1974.

Ao longo da sua vida profissional e política, foi operária química especializada, ativista e dirigente sindical, tendo integrado a Comissão de Trabalhadores e o Conselho Geral de Trabalhadores da CUF/Quimigal. Exerceu também funções dirigentes no Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas do Sul e na União de Sindicatos de Setúbal da CGTP-IN. Entre 1989 e 1993, foi ainda membro do Conselho Nacional da CGTP-IN. Desenvolveu também atividade profissional como jurista.

A intervenção cívica de Ercília Talhadas começou ainda antes do 25 de Abril. Foi ativista do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil e do MDM — Movimento Democrático de Mulheres, desde a fundação desta estrutura em 1969, no distrito de Setúbal. Esteve igualmente ligada ao MDP — Movimento Democrático Português, participou na campanha da CDE nas eleições de 1969 e integrou, em 1973, a lista de candidatos da Oposição à Assembleia Nacional.

No plano institucional, foi deputada à Assembleia da República, eleita pelo PCP, nas I e II Legislaturas, entre 1976 e 1983. Foi também membro da Comissão Concelhia do Barreiro, integrou a Direção da Organização Regional de Setúbal do PCP entre 1988 e 1992 e pertenceu ao Comité Central do PCP entre 1979 e 1983.

Ercília Talhadas era ainda membro da URAP — União de Resistentes Anti-Fascistas Portugueses, no núcleo de Palmela-Setúbal, mantendo ligação à memória da resistência antifascista e ao trabalho cívico no distrito.

As cerimónias fúnebres realizam-se este domingo, 29 de março. O corpo estará em câmara-ardente a partir das 9h30, na Capela Mortuária da Moita, estando a cremação marcada para as 16h30, no Crematório de Santo António da Charneca, no Barreiro.


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