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Morreu a foca de Cascais e fica uma pergunta no ar!

A foca-cinzenta que durante semanas viveu na Marina de Cascais acabou por morrer após ser retirada do local e encaminhada para um centro de reabilitação, deixando críticas duras e um debate incómodo sobre a intervenção humana.

A imagem da foca-cinzenta a descansar nas rochas da Marina de Cascais tornou-se, nas últimas semanas, um símbolo inesperado de proximidade entre a vida selvagem e o quotidiano urbano. O animal, acompanhado por curiosos e seguido com atenção por ativistas, acabou por morrer após ter sido retirado do local e encaminhado para um centro de reabilitação, confirmou Miguel Lacerda, presidente da Cascaisea.

A confirmação do desfecho foi feita com pesar. “A foca já morreu”, afirmou Miguel Lacerda, assumindo tristeza profunda e uma revolta que não esconde. O responsável criticou contundentemente a atuação das entidades envolvidas, considerando que situações semelhantes continuarão a repetir-se se nada mudar.

Segundo revelou, após a morte do animal recebeu uma mensagem que levantou ainda mais dúvidas sobre todo o processo. “Pode ter sido de a terem retirado do seu ‘habitat’”, lia-se na comunicação que diz ter recebido, deixando implícita a possibilidade de que a intervenção tenha agravado o estado do animal.

Antes do resgate, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas garantiu, em comunicado, que a foca aparentava ser jovem, encontrava-se saudável, sem ferimentos visíveis, alimentava-se regularmente e utilizava as rochas da marina como local de descanso. O ICNF defendeu que, em situações deste tipo, a intervenção humana nem sempre é necessária, devendo o animal ser deixado em tranquilidade sempre que não existam sinais claros de debilidade.

No entanto, essa avaliação foi posta em causa no terreno. Miguel Lacerda explicou que foi alertado por um pescador para uma situação que classificou como crítica. Segundo o ativista, não existia qualquer tipo de monitorização no local e a foca encontrava-se imóvel dentro de água, depois de alegadamente ter caído das rochas. Perante esse cenário, acompanhou o animal durante cerca de sete horas, temendo pelo seu estado.

A morte da foca-cinzenta deixa agora uma sensação de falhanço coletivo e levanta interrogações difíceis sobre como são geridas estas ocorrências em espaços urbanos. Entre a não intervenção e a ação precipitada, fica a dúvida se teria sido possível um desfecho diferente.


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