Moradores da Aroeira denunciam estaleiro ilegal e vídeos revelam movimentação intensa em zona residencial
Moradores denunciam poeiras, ruído e movimentação constante de camiões junto às suas casas.

O Diário do Distrito teve acesso a novos vídeos que comprovam a atividade diária do estaleiro de materiais de construção instalado na Aroeira, no gaveto entre a Rua António Dacosta e a Avenida Ilha da Madeira. As gravações, feitas por moradores ao longo das últimas semanas, mostram camiões articulados a manobrar em ruas estreitas, maquinaria pesada em operação contínua, poeiras a levantarem-se sobre as casas e ruído intenso desde as primeiras horas da manhã.
Sucedem-se as denúncias de habitantes, que temem não apenas pela sua saúde, mas pela segurança e pelo valor das suas propriedades. O movimento diário de veículos pesados, conforme registado em vídeo, contraria por completo a natureza residencial da Aroeira.
“Isto transformou-se num estaleiro dentro do nosso bairro. O barulho começa cedo, as janelas ficam pretas de pó e ninguém nos protege”, afirma um morador que vive no local há mais de duas décadas. Nas imagens a que o nosso jornal teve acesso, é possível ver nuvens de partículas de poeira a serem projetadas sobre muros e jardins, sem qualquer medida de contenção.
Outro residente, visivelmente revoltado, sublinha: “Quando comprei a casa, disseram-me que aqui era zona urbana tranquila. Prometeram que o canil ia sair. Passados 17 anos, não só continua, como agora temos um estaleiro industrial mesmo à porta. Camionetas e gruas passam a metros das nossas janelas. É revoltante.”
O Diário do Distrito analisou os vídeos e confirma a movimentação contínua de equipamentos e materiais: descargas de tijolos e blocos, empilhamento de paletes, raspagem do terreno e transporte de inertes. Em vários momentos, observam-se camiões a ocuparem toda a largura da rua, impossibilitando a passagem de outros veículos e colocando em risco peões e crianças.
Um dos moradores, que enfrenta uma doença oncológica e escolheu a Aroeira pela tranquilidade, deixa um testemunho particularmente duro: “Vim para aqui por ser uma zona calma, para poder descansar, respirar. Agora acordo com máquinas, poeiras, camiões e ruídos constantes. Não consigo ter roupa estendida, não consigo abrir janelas. E tenho de lavar tudo todos os dias. Isto não é viver, é sobreviver.”
Segundo os residentes, a atividade terá começado a 5 de setembro de 2025, alegadamente após a empresa Fortunato Marques Lda. ter arrendado o terreno à proprietária Helena Aurélio. Os moradores questionam a legalidade da operação e alertam para a ausência de licenças visíveis para exploração industrial, deposição de materiais, nivelamento do solo ou movimentação de resíduos de construção e demolição.
Um outro morador recorda: “Já falei pessoalmente com a presidente da Câmara, a Dra. Inês de Medeiros, durante a campanha. Expliquei-lhe tudo. Ela ouviu-me, disse que ia ver o assunto. Mas até agora nada mudou. O que vemos é mais pó, mais máquinas e mais problemas.”
Até ao momento, o Diário do Distrito dirigiu múltiplas perguntas formais à empresa responsável, mas não obteve qualquer resposta por parte da Fortunato Marques Lda. Também a Câmara Municipal de Almada – apesar de já ter sido alertada pelos moradores e pelas questões enviadas pelo nosso jornal – ainda não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
As denúncias incluem possíveis violações de licenciamento urbanístico, impacte ambiental, gestão de resíduos, ruído e ordenamento do território. Os moradores exigem ação imediata e fiscalização rigorosa. Os vídeos agora revelados reforçam a gravidade da situação e mostram que a operação continua sem interrupção, com material acumulado e maquinaria ativa em plena área residencial.
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