Montijo pressiona Governo e reacende batalha por nova esquadra policial
A Câmara do Montijo voltou a colocar no centro do debate a construção de uma nova esquadra da PSP e de um quartel da GNR, assumindo o tema como prioridade política para 2026.
A falta de condições nas atuais instalações da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana voltou a marcar a agenda política no Montijo. O tema foi debatido na reunião ordinária da Câmara Municipal realizada a 17 de dezembro de 2025, onde o executivo reafirmou a intenção de avançar com soluções concretas para dotar o concelho de infraestruturas policiais consideradas adequadas às exigências operacionais atuais.
A discussão foi relançada pelo vereador do Chega, Nuno Valente, que recordou que, durante o debate do Orçamento do Estado para 2026, foram apresentadas propostas para a construção destas estruturas, acabando por ser rejeitadas com votos contra da maioria governamental e a abstenção do Partido Socialista. O autarca classificou o desfecho como negativo para o concelho e defendeu a necessidade de manter pressão política junto do Governo central.
No mesmo enquadramento, foi colocada a hipótese de o Montijo poder ser elevado a divisão policial, uma medida que, segundo o vereador, permitiria reforçar o número de efetivos, ainda que não resolvesse todos os problemas associados à segurança.
Em resposta, o presidente da Câmara, Fernando Caria, garantiu que o município não abandonou o objetivo de melhorar as condições das forças de segurança. O autarca revelou serem solicitadas reuniões com a ministra da Administração Interna para avaliar a viabilidade da construção de uma nova esquadra da PSP, sublinhando tratar-se de uma reivindicação antiga do município e dos próprios profissionais da polícia.
Apesar da rejeição das propostas no Orçamento do Estado, o executivo municipal admite procurar soluções alternativas. Entre elas está a possibilidade de o município assumir parte do investimento, caso exista abertura do Governo para um modelo de parceria. Fernando Caria lembrou ainda que, em contactos informais de mandatos anteriores, foi referido que nunca chegou ao Ministério da Administração Interna um pedido formal do município para a construção de uma esquadra da PSP no Montijo.
O vereador com o pelouro do planeamento, Pedro Vieira, acrescentou que os serviços municipais identificam locais do património municipal que acolham a futura esquadra. Segundo explicou, este trabalho é essencial para apresentar propostas sólidas à tutela, tendo em conta critérios como acessos, dimensão e possibilidade de expansão futura, incluindo cenários que prevejam a eventual criação de uma divisão policial.
O responsável esclareceu ainda que não é possível lançar qualquer procedimento concursal sem um local previamente validado. Este planeamento está a ser articulado com outras necessidades do concelho, como a proteção civil e os bombeiros, admitindo-se a criação de um polo concentrado de serviços de meios de socorro, caso as condições o permitam.
Também o vereador do Partido Socialista, Ricardo Bernardes, reconheceu que os dados oficiais, nomeadamente o Relatório Anual de Segurança Interna, não apontam para um aumento da criminalidade no concelho. Ainda assim, considerou que a perceção de insegurança, reforçada por episódios recentes com grande exposição mediática, justifica uma resposta clara ao nível das infraestruturas policiais.
O socialista defendeu que a construção de uma nova esquadra da PSP deve ser tratada como prioridade e admitiu que o município lidere o processo, desde que exista financiamento estatal, como foparaar a concretização da obra. Sublinhou ainda que, à escala local, o estado das atuais instalações é um problema conhecido que não deve continuar a ser adiado.
O executivo municipal concordou que o reforço de efetivos depende exclusivamente do Governo e das forças de segurança, cabendo ao município garantir condições físicas adequadas e manter a pressão política junto da tutela. Fernando Caria reconheceu que a segurança no Montijo é globalmente estável, mas admitiu que a perceção de insegurança exige atenção redobrada.
No encerramento do debate, o presidente da Câmara afirmou que o início de 2026 será determinante para retomar contactos formais com o Ministério da Administração Interna, garantindo que a nova esquadra da PSP e o quartel da GNR continuarão no topo das prioridades do executivo. A discussão revelou consenso político quanto à necessidade de melhorar as condições das forças de segurança no concelho, ainda que com diferentes estratégias para atingir esse objetivo.
Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt
Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito






