Monte da Rocha transborda após seca histórica
A barragem do Monte da Rocha, em Ourique, iniciou uma descarga controlada para o rio Sado após atingir 100,1 por cento da capacidade, num contraste absoluto com os níveis críticos registados há um ano.
A barragem do Monte da Rocha começou no domingo a libertar água de forma controlada para o rio Sado, após alcançar praticamente o limite máximo de armazenamento. A infraestrutura apresenta atualmente 100,1 por cento do volume total, o equivalente a cerca de 102,9 milhões de metros cúbicos, confirmou a associação de regantes responsável pela gestão.
A descarga deverá manter-se até terça-feira, sendo descrita como ligeira, numa fase onde a precipitação abrandou e não se verifica um aumento significativo do caudal afluente. A medida surge como forma de gestão preventiva, garantindo margem para eventuais entradas de água nos próximos dias.
O cenário repete-se noutras albufeiras sob responsabilidade da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado. As barragens de Campilhas, Fonte Serne, Migueis e Monte Gato encontram-se também nos 100 por cento de armazenamento. A entidade articula procedimentos com a Agência Portuguesa do Ambiente para acomodar possíveis afluências, numa altura em que os terrenos permanecem enxutos e não há previsão de novas frentes de chuva até ao final do mês.
O momento marca uma reviravolta significativa face ao panorama vivido há um ano. A 28 de janeiro de 2025, Monte da Rocha era uma das barragens com menor volume disponível no país, registando apenas 13 por cento da capacidade máxima, num período de seca extrema que colocou em alerta o abastecimento e a atividade agrícola.
A importância estratégica desta barragem é determinante para o território. A infraestrutura assegura o abastecimento público aos concelhos de Ourique, Almodôvar e Castro Verde, além de parte de Mértola e Odemira, e garante a rega de cerca de 1.800 hectares agrícolas em Ourique e Santiago do Cacém.
Entretanto, continuam as obras que irão ligar Monte da Rocha ao sistema de Alqueva através da barragem do Roxo, em Aljustrel. O investimento, lançado em 2024, ronda os 30 milhões de euros e inclui a criação do Bloco de Rega de Messejana, reforçando a segurança hídrica da região.
A recuperação dos níveis de armazenamento acontece após a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, fenómenos meteorológicos que provocaram 16 mortos em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados, com impactos significativos nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. A situação de calamidade nos 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
Num território habituado a lidar com ciclos de escassez, o atual quadro representa uma inversão expressiva e devolve margem de segurança ao abastecimento e à atividade agrícola no Baixo Alentejo.
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