Mondego sobe e força famílias a sair de casa em Montemor-o-Velho
A subida lenta, mas contínua, do rio Mondego já obrigou cerca de 20 pessoas a abandonar as suas habitações em Montemor-o-Velho, onde se registam derrocadas, acessos condicionados e escolas encerradas por motivos de segurança.

O agravamento do caudal do rio Mondego levou, desde segunda-feira, cerca de 20 moradores do concelho de Montemor-o-Velho a deixarem temporariamente as suas casas, procurando refúgio junto de familiares. A informação foi confirmada esta quarta-feira pelo presidente da Câmara Municipal, José Veríssimo, em declarações à agência Lusa.
Segundo o autarca, a situação mais frequente no concelho prende-se com derrocadas em vários pontos, consequência direta dos terrenos saturados de água. Apesar de, até ao momento, as pessoas deslocadas terem encontrado soluções próprias, o município assegura que dispõe de alternativas de realojamento para responder a eventuais necessidades adicionais.
José Veríssimo sublinha que uma das principais preocupações das autoridades locais é a exaustão física e emocional das populações, após vários dias consecutivos de instabilidade. O presidente da autarquia explica que, embora a subida das águas seja gradual, o carácter prolongado do fenómeno tem provocado ansiedade e receio entre os residentes das zonas mais vulneráveis.
A Câmara Municipal garante que todas as medidas ao seu alcance foram acionadas para mitigar os efeitos das cheias e reduzir o impacto na vida quotidiana das populações, mantendo equipas no terreno a prestar apoio permanente.
Na freguesia de Ereira, com cerca de 650 habitantes, os acessos continuam fortemente condicionados. Apenas viaturas dos fuzileiros e dos bombeiros conseguem assegurar ligações terrestres. Caso a circulação rodoviária deixe de ser possível, está previsto o recurso a embarcações, assegurando que bens essenciais e assistência não faltem à população.
Relativamente aos prejuízos materiais, o presidente da Câmara refere que qualquer avaliação só será feita numa fase posterior, reforçando que a prioridade absoluta é a proteção da vida humana. Para o autarca, não existe dano maior do que a perda de uma vida, cenário que pretende evitar a todo o custo.
Entretanto, o município anunciou o encerramento da Escola das Meãs, no Baixo Mondego, por razões de segurança. Foram também cortados vários arruamentos, incluindo um troço da Estrada Nacional 111, junto aos semáforos das Meãs do Campo, bem como ruas adjacentes à escola, devido a uma derrocada.
Os transportes públicos encontram-se igualmente afetados, com as linhas 220 e 221 a registarem fortes condicionamentos e atrasos significativos.
Este cenário local insere-se num quadro nacional mais vasto. Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram centenas de feridos, desalojados e elevados prejuízos materiais. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo estão entre as mais afetadas. O Governo decretou situação de calamidade em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros.
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