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Moedas inaugura «Viva a Rua» no Chiado e torna a pedir fim do sistema «Volta»

Programa retira espaço ao estacionamento e aumenta as áreas destinadas aos peões em sete ruas do Chiado. Durante o percurso, Carlos Moedas voltou a criticar o sistema de depósito e reembolso de embalagens

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, percorreu esta quarta-feira várias ruas do Chiado para assinalar o arranque do programa «Viva a Rua, Lisboa!», que pretende aumentar o espaço destinado aos peões e melhorar as condições de circulação no centro histórico da capital.

A intervenção abrange sete artérias: Rua Garrett, Rua Nova do Almada, Rua do Carmo, Calçada do Sacramento, Rua Ivens, Rua Anchieta e Rua Serpa Pinto. O projeto aposta na redução e reorganização do estacionamento, no alargamento das áreas pedonais e na instalação de mobiliário urbano.

No total, desaparecem 46 lugares de estacionamento. Na Rua Garrett, a área destinada aos peões aumenta cerca de 40%. Já na Rua Ivens, o ganho ronda os 32%, enquanto a Rua Nova do Almada e a Rua Serpa Pinto registam aumentos de cerca de 27%, segundo o jornal A Mensagem.

Apesar do aumento do espaço pedonal, a intervenção não implica uma proibição generalizada da circulação automóvel. De acordo com a mesma fonte, a Rua Anchieta fica sem circulação automóvel. Nas restantes artérias, o projeto aposta sobretudo na eliminação ou reorganização do estacionamento.

Pinturas e floreiras antecipam solução definitiva

Nesta primeira fase, a Câmara optou por uma intervenção temporária, através de pinturas no pavimento inspiradas nos padrões da calçada portuguesa, acompanhadas por bancos, floreiras e outro mobiliário urbano. A informação consta dos esclarecimentos prestados pela Câmara Municipal de Lisboa à associação Vizinhos em Lisboa, no passado dia 7 de setembro.

Segundo a mesma fonte, a solução permite testar uma nova distribuição do espaço antes de avançar para uma intervenção permanente. A autarquia esclareceu ainda que esta fase não contempla a plantação definitiva de árvores nem alterações às cotas dos passeios.

Também não estão previstas, nesta fase, novas esplanadas no espaço retirado ao estacionamento. Contudo, a Câmara admite essa possibilidade numa futura intervenção em determinados pontos das ruas Serpa Pinto e Ivens, de acordo com os esclarecimentos publicados pela associação.

Já na Rua Garrett, um estudo de tráfego encomendado pela autarquia aponta para a passagem diária de cerca de 20 mil peões e quatro mil automóveis, segundo o jornal A Mensagem. A mesma publicação refere a existência de cerca de 1.200 lugares distribuídos por cinco parques de estacionamento subterrâneos nas proximidades.

Moedas percorreu as ruas e entrou no comércio do Chiado

O passeio inaugural arrancou junto ao café A Brasileira, no Largo do Chiado, e prosseguiu por algumas das ruas abrangidas pelo programa. Ao longo do percurso, Carlos Moedas entrou em vários estabelecimentos comerciais, onde cumprimentou comerciantes e trabalhadores.

A comitiva contou com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo Reis, dos vereadores Diogo Moura e Joana Baptista e da presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Maria João Correia (PS). Vítor Silva, representante dos comerciantes do Chiado, também acompanhou o percurso.

Durante a passagem pelo Chiado, o presidente da Câmara parou ainda numa pastelaria, onde comeu um pastel de nata. Nas ruas, vários músicos interpretavam temas clássicos e contemporâneos enquanto decorria a visita.

Carlos Moedas, numa pastelaria do Largo do Chiado

Moedas volta a pedir fim do sistema Volta

À margem do passeio, Carlos Moedas voltou a criticar o sistema Volta. Na terça-feira, o presidente da Câmara já tinha pedido ao Governo que o «cancele de imediato».

Na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, Moedas classificou o sistema como «um imposto para quem paga e um drama social sem precedentes na cidade». Ainda assim, reconheceu a necessidade de aumentar a reciclagem e a reutilização.

«É uma boa intenção. É um mau resultado. Não queremos», afirmou na terça-feira, segundo a agência Lusa.

Em funcionamento desde 10 de abril, o Volta aplica um depósito de 10 cêntimos às garrafas e latas de uso único abrangidas pelo sistema. O consumidor pode recuperar esse valor através da entrega da embalagem num dos pontos de recolha existentes no país, de acordo com informação da Lusa.

Esta quarta-feira, Moedas voltou a apontar consequências para a higiene urbana da capital. «O Programa Volta é um drama. Um drama social. O que nós estamos a ver todas as noites em Lisboa, todos os dias, é um drama social. Vemos pessoas com as garrafas às costas, por 10 cêntimos por cada uma», afirmou aos jornalistas, no Largo do Chiado

Carlos Moedas presta declarações aos jornalistas

O autarca disse ainda ter imagens de pessoas a procurar embalagens dentro de contentores e ecopontos.

«As pessoas entram dentro dos caixotes de lixo. Eu tenho imagens de pessoas a entrar dentro dos caixotes de lixo, dentro de ecopontos. É uma vergonha», declarou.

Moedas relacionou também o problema com a resposta social da autarquia. Segundo o presidente da Câmara, Lisboa tem «exatamente a competência de uma política muito forte» para ajudar as pessoas a sair das adições. No entanto, defendeu que isso «não é através de um sistema como este».

Autarca diz não ter resposta do Governo

O presidente da Câmara revelou que ainda não recebeu qualquer resposta do Governo ao pedido para travar o Volta. Garantiu, contudo, que o executivo conhece a sua posição e voltou a apontar França como exemplo a seguir.

«Dei ao Governo o exemplo de França, em que já pararam e voltaram para trás. E, portanto, eu acho que, na política pública, não é vergonha nenhuma reconhecer os nossos erros», afirmou.

Moedas considerou ainda que existe «um erro da União Europeia em relação a este tipo de política». Segundo o autarca, esta situação «veio trazer problemas não só a Lisboa, mas também a outras cidades».

O presidente da Câmara reconheceu que o Governo enfrenta a posição da União Europeia e a possibilidade de Portugal ter de pagar uma multa caso recue na aplicação do sistema.

«Mas se os franceses não pagaram essa multa e pararam, nós também podemos seguramente executar», acrescentou.

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