Mitsubishi apresenta novidades do eCanter elétrico produzido em Portugal
O camião ligeiro recebe novos sistemas de segurança e alarga as possibilidades de utilização profissional. O Diário do Distrito acompanhou a apresentação em Lisboa e falou com Érico Fernandes, diretor regional da FUSO Europa.
A Mitsubishi Fuso deu a conhecer na última sexta-feira, 2 de outubro, em Lisboa, as novidades de 2026 do eCanter. Érico Fernandes, diretor do Escritório Regional Europeu da FUSO, conduziu a sessão, que o Diário do Distrito acompanhou nas instalações da Astara Portugal. O camião ligeiro totalmente elétrico é produzido no Tramagal, no concelho de Abrantes, distrito de Santarém.
Entre as atualizações do eCanter destaca-se o travão de estacionamento eletrónico, com ativação automática. O sistema atua quando o veículo é desligado e também ao abrir a porta com o cinto de segurança desapertado.
Além disso, o eCanter e o Canter a combustão recebem um sistema avançado de alerta de distração do condutor. Este equipamento monitoriza a atenção, deteta sinais de fadiga e emite avisos de segurança.
Por sua vez, o eCanter dispõe de três opções de bateria, que permitem adaptar o camião às necessidades de cada operação. Todas as versões incluem carregamento em corrente alternada e contínua, com potências anunciadas até 22 kW em AC e 104 kW em DC.
A versatilidade é outro dos argumentos apresentados pela FUSO. O eCanter oferece 60 configurações, incluindo aplicações com plataforma elevatória e grua, e mantém a maioria das opções de carroçaria do Canter convencional.

eCanter tem de fazer sentido para o negócio
Questionado pelo Diário do Distrito sobre o maior desafio para convencer as empresas a trocar os camiões a gasóleo pelo eCanter, Érico Fernandes destacou a avaliação económica.

«Os veículos comerciais são praticamente uma ferramenta», afirmou. Assim, a decisão exige «uma análise lógica: se faz sentido técnico, se faz sentido económico, se faz sentido para o negócio de cada cliente».
Por isso, a FUSO analisa com cada empresa a utilização prevista do eCanter e o custo total de propriedade, conhecido pela sigla TCO. Esta avaliação permite comparar a aquisição e os custos de utilização do camião elétrico.
«Conversamos individualmente com cada cliente, explicando quais são os benefícios e se faz sentido ou não», explicou.
Como exemplo, Fernandes apontou a recolha de resíduos, uma atividade em que considera os benefícios do eCanter mais evidentes. Segundo o responsável, a marca tem centenas de camiões elétricos nesta função em grandes centros europeus.
Além da ausência de emissões de escape, destacou o conforto para os motoristas e a redução do ruído nas zonas residenciais. «Não se acorda ninguém de manhã com aquele barulho para recolher o lixo», exemplificou.
Também identificou as operações aeroportuárias, as gruas e as plataformas elevatórias para reparação de redes elétricas entre as principais aplicações do eCanter. Nos aeroportos, explicou que o camião pode servir para abastecer aviões, desde que equipado para essa função.
Já a utilização do eCanter com grua recebeu uma nova autorização da engenharia da marca no ano-modelo mais recente. Neste segmento, Fernandes salientou uma procura significativa, «principalmente na Alemanha e em França».
Quanto às vendas, o responsável antecipou um crescimento entre os exercícios de 2025/26 e 2026/27. Contudo, não avançou metas numéricas: «A nossa expectativa é, com certeza, de crescimento […]. Vamos crescer em volume.»
Equipamento responde às necessidades de trabalho
O Diário do Distrito perguntou também por que motivo o eCanter não apresenta um ecrã digital semelhante aos que hoje equipam muitos automóveis.
Segundo Fernandes, essa funcionalidade não tem sido uma prioridade dos clientes da gama Canter. «Procuramos ser muito precisos a responder às necessidades dos nossos clientes e focar-nos exatamente no que precisam», explicou.
Por outro lado, o responsável salientou que os clientes procuram soluções com a melhor relação entre custo e eficiência. Assim, a marca dá prioridade a equipamentos que respondam às exigências concretas do trabalho.
«Recolhemos essas necessidades dos clientes e transformamo-las em soluções no camião», resumiu.
Como exemplo, apontou a nova suspensão pneumática do Canter a combustão. «A suspensão pneumática foi um pedido dos clientes», afirmou, explicando que a regulação da altura facilita as cargas e descargas.
Além disso, o sistema oferece controlo eletrónico e nivelamento automático. Fernandes relacionou esta resposta às necessidades profissionais com o objetivo de fazer do Canter «o canivete suíço dos camiões».

Na versão a combustão de 8,55 toneladas de peso bruto, o Canter apresenta cerca de seis toneladas de carga útil. Também todas as motorizações desta gama passam a estar certificadas para utilizar HVO, um combustível produzido a partir de óleos e resíduos, sem necessidade de alterações no veículo.
Mitsubishi Fuso instala base europeia em Lisboa
A sessão deu também a conhecer a nova base europeia da Mitsubishi Fuso em Lisboa. Segundo o comunicado da empresa, o escritório terá aproximadamente 40 profissionais e prevê criar cerca de 30 novos postos de trabalho em Portugal. A estrutura assume funções de coordenação anteriormente asseguradas pela Daimler Truck e apoiará parceiros em 41 mercados europeus.
Além disso, acompanhará as áreas de vendas, marketing, formação e pós-venda, em articulação com a sede no Japão. A reorganização inclui uma rede de 15 distribuidores, entre os quais a Astara em Portugal, e um novo centro europeu de peças nos Países Baixos. Entretanto, a fábrica do Tramagal mantém a produção dos Canter e eCanter.
Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt
Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito











