A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, defendeu esta segunda-feira que a recente sequência de crimes violentos em Lisboa tem gerado um sentimento de insegurança superior à realidade, apelando à serenidade e à leitura rigorosa dos dados oficiais.
“Há de facto algum aumento da criminalidade violenta, mas não é tanto quanto ecoa na comunicação social, o que acaba por amplificar o medo das pessoas”, sublinhou Amaral, referindo-se aos cinco casos de tiroteios registados na última semana na região da capital.
Entre as ocorrências mais recentes, um homem deu entrada no Hospital Amadora-Sintra com um tiro no joelho, poucas horas após outro jovem ter sido deixado à porta do mesmo hospital com ferimentos de bala no abdómen. Na Cova da Moura, outro homem foi baleado na madrugada de quarta-feira, juntando-se a dois episódios semelhantes registados no início da semana.
A governante insistiu que a “onda de violência” deve ser analisada à luz dos relatórios criminais e não da perceção pública. “O nosso dever é manter o rigor e a transparência. O sentimento de insegurança nem sempre corresponde ao que efetivamente acontece”, frisou, à margem da inauguração da nova esquadra da PSP de Odivelas, uma requalificação que representou um investimento de quase 600 mil euros.
O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, destacou que o trabalho dos agentes da esquadra da Pontinha contribuiu para reduzir a criminalidade violenta e grave, registando este ano mais detenções do que em 2024.
Questionado sobre a notícia avançada pelo Público, que dá conta de uma megaapreensão de droga no Seixal alegadamente feita “à revelia da PJ”, Carrilho preferiu remeter explicações para terça-feira, data da conferência de imprensa sobre o caso. O jornal reporta a apreensão de seis toneladas de haxixe e duas lanchas rápidas, numa operação da PSP que não terá sido comunicada à Polícia Judiciária.
Maria Lúcia Amaral, confrontada com o tema, limitou-se a dizer que “não tinha lido a notícia” e que “não comentava o que desconhecia”.
Sobre as críticas dos sindicatos da PSP, que exigem melhorias salariais e acusam o Governo de não reforçar o Orçamento do Estado para 2026, a ministra garantiu que trabalha em soluções. “Há dificuldades em atrair novas gerações para funções que implicam compromisso de vida. O desafio é tornar a profissão policial mais digna e atrativa”, afirmou.
Amaral acrescentou ainda que a cultura das novas gerações é diferente e que “o mundo mudou”, mas que o Executivo quer encontrar formas de valorizar a PSP.
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